O Enfarte Agudo do Miocárdio com elevação do Segmento ST (STEMI) é uma doença crítica com risco de vida que requer ECG precoce para diagnóstico rápido. Cada 30 minutos de atraso no tratamento está associado a um aumento de 7,5% na mortalidade (Yiadom et al., 2024).
O tempo porta-ECG é a primeira meta atingir nos doentes com STEMI, segundo Yiadom et al. (2022), características como género feminino, raça negra, não falantes de inglês e diabéticos estão associadas ao aumento de tempo porta-ECG. No mesmo estudo concluiu-se ainda que um tempo porta-ECG dentro de 10 minutos pode estar associado a uma redução de 50% na mortalidade entre doentes com STEMI nos serviços de urgência. De acordo com o estudo de Lin et al. (2023), doentes com tempo de aquisição de ECG < 10 minutos geralmente apresentavam idade mais jovem e sintomas típicos. Assim o tempo até ao tratamento é vital para o doente com diagnóstico de STEMI. Segundo a European Society of Cardiology (ESC) Os fatores que influenciam o tempo de isquemia total e que contribuem para atrasos na abordagem inicial e a seleção de estratégia de reperfusão estão relacionados com o próprio doente ou com a organização das unidades prestadoras de cuidados de saúde (ESC, 2023).
Para a ESC (2004), doentes com possíveis sintomas de STEMI devem ser transportados para o hospital de ambulância em vez de amigos ou familiares, porque há uma associação significativa entre a chegada ao serviço de urgência por ambulância e a terapia de reperfusão precoce. Passados mais de vinte anos, um estudo de coorte retrospetivo na Arábia Saudita corrobora com a indicação a mesma indicação, concluindo que apesar de não se verificar significancia estatística ao comparar o tempo porta-balão entre o grupo de carro particular e o grupo de ambulância, o tempo para o primeiro contato médico encurtou significativamente quando transportados por ambulância (Alghamdi, 2023). Também na China, Yang et al. (2024), concluiu que o transporte por meios de emergência extra-hospitalar está associado a um menor tempo para primeiro contato médico e a maior taxa de reperfusão, contudo não se verificou uma redução substancial nos atrasos do tratamento ou na taxa de mortalidade.
Diversas condições cardíacas e não cardíacas podem mimetizar o diagnóstico de EAM, e considerando que muitos doentes não se apresentam com sinais e sintomas clássicos para este tipo de diagnóstico, a possibilidade de o tempo alvo de 10 minutos não ser atingido é elevada. Para doentes com suspeita de STEMI, enquanto o atraso do próprio doente é multifatorial, o atraso relacionado com a organização dos cuidados de saúde (tempo desde o primeiro contacto com o sistema de saúde até à reperfusão) é passível de melhoria, através de medidas organizacionais e estabelecimento de protocolos. Avaliar o desempenho dos critérios para o estabelecimento desse mesmo diagnóstico torna-se fundamental para que após interpretação desses mesmos resultados, não só o tempo porta-ECG possa ser melhorado, mas também diminuído em geral o tempo de sistema do doente, traduzindo-se em ganhos em saúde e diminuição de isquemia de miocárdio.
A dor torácica é o sintoma mais comum no enfarte agudo do miocárdio (EAM), todavia a sua apresentação clínica pode ser bastante variável. Algumas pessoas podem manifestar sintomas atípicos, como dores abdominais, tonturas ou até náuseas, com ou sem dor no peito. Além disso, pessoas mais idosos ou com diferentes comorbilidades, apresentam frequentemente dispneia como sintoma principal, também sem dor torácica típica. Esta diversidade de manifestações clínicas pode dificultar o diagnóstico imediato. O eletrocardiograma (ECG) inicial permite confirmar ou excluir o diagnóstico final de EAM sem elevação do segmento ST (NSTEMI). Este quando realizado em tempo oportuno está diretamente relacionado com melhores tempos porta-ECG, cuja recomendação aponta para que seja inferior a 10 minutos. O tempo porta-ECG é um período crítico para a definição de uma estratégia de intervenção, desempenhando um papel essencial no prognóstico do doente. Quanto mais rápido for realizado o ECG após a chegada ao hospital, mais cedo será possível identificar a natureza do problema cardíaco e iniciar a intervenção adequada, sendo este aspeto determinante para reduzir o risco de complicações graves e melhorar as probabilidades de recuperação. O objetivo principal desta investigação é avaliar a precisão (sensibilidade e especificade) do Sistema de Triagem de Manchester para casos compatíveis com STEMI.
1. Avaliar a precisão (sensibilidade e especificade) do Sistema de Triagem de Manchester para casos compatíveis com STEMI;
2. Determinar o tempo porta-ECG em doentes com diagnóstico de STEMI;
3. Identificar os fatores que contribuem para um tempo porta-ECG > 10 minutos.
Os resultados obtidos com esta investigação irão permitir perceber o desempenho dos critérios de diagnóstico precoce de doentes com STEMI. A interpretação dos seus resultados, traduzir-se-á numa otimização de estratégias organizacionais e/ou estabelecimento de protocolos que permitam melhorar os cuidados prestados a este tipo de doentes, contribuindo assim para ganhos em saúde de forma geral e futuramente para cada individuo em particular.
Não aplicávelAlghamdi A., S., Alshibani, A., Binhotan, M., Alharbi, M., Algarni, S., S., Alzahrani, M., M., Asiri, A., N., Alsulami, F., F., Ayoub, K. & Alabdali, A. (2023). Shortening Door-to-Balloon Time: The Use of Ambulance versus Private Vehicle for Patients with ST-Segment Elevation Acute Myocardial Infarction. Open Access Emerg Med. (15) 457-463. https://doi.org/10.2147/OAEM.S435446
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04/11/2024
29/09/2025
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