Aplicabilidade de um protocolo para minimização da exposição ao fumo cirúrgico: Perceção de enfermeiros de intraoperatório

A Organização Mundial de Saúde (OMS) (2021), na resolução da Ação Global em Prol da Segurança do Doente, defende que para garantir uma prestação de cuidados seguros e evitar incidentes para os doentes, é necessário preservar a saúde física e mental dos profissionais de saúde. Para Mello et al. (2023), o desenvolvimento prolongado e contínuo da atividade profissional, sob condições físicas e psicológicas adversas, é considerado um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças profissionais, sendo que na área da saúde, a enfermagem ocupa um lugar de destaque. A Organização Internacional do Trabalho (2021), refere que cerca de 2 milhões de profissionais de saúde morrem a cada ano com doenças profissionais, uma vez que estão expostos diariamente a diversos riscos. O fumo cirúrgico tem vindo a constituir-se como uma preocupação no seio das equipas cirúrgicas, visto que resulta dos subprodutos gasosos produzidos durante a eletrocirurgia dos tecidos e é simultaneamente considerado como um risco biológico e químico. Os dispositivos de eletrocoagulação, ao entrarem em contacto com as células, sofrem um aquecimento atingindo temperaturas equivalentes ao estado de ebulição e/ou combustão, provocando

A exposição ao fumo cirúrgico constitui-se como um risco profissional intraoperatório, potencialmente cancerígeno, persistindo lacunas na adesão às medidas preventivas apontando-se a falta de protocolos como possível causa. Descrever a perceção de enfermeiros de intraoperatório acerca da aplicabilidade de um protocolo para minimizar a exposição ao fumo cirúrgico. Estudo exploratório, descritivo e transversal, de abordagem qualitativa. A população-alvo é constituída por enfermeiros de intraoperatório. A amostra será obtida por amostragem em rede, até atingir a saturação teórica dos dados. A recolha de dados será realizada através de entrevistas semiestruturadas individuais. A análise de conteúdo será feita por análise de conteúdo temática segundo Bardin, com recurso a software adequado à natureza dos dados. O estudo respeita os princípios éticos, garantindo o consentimento informado, confidencialidade e anonimato dos participantes. Com base na revisão da literatura antecipa-se a existência de défice no conhecimento e formação dos profissionais, a utilização inconsistente das medidas de proteção e o reconhecimento da importância da implementação de protocolos. O estudo pretende contribuir para a melhoria da segurança ocupacional no bloco operatório, evidenciando a necessidade de desenvolver e implementar protocolos eficazes para a minimização da exposição ao fumo cirúrgico.

Objetivo Geral: Descrever a perceção de enfermeiros de intraoperatório acerca da aplicabilidade de um protocolo para minimizar a exposição ao fumo cirúrgico. Objetivos Específicos: Explorar o grau de conhecimento de enfermeiros de intraoperatório sobre os riscos associados ao fumo cirúrgico; Identificar as práticas de enfermeiros de intraoperatório para prevenir a exposição ao fumo cirúrgico; Explorar a aceitabilidade e viabilidade prática de um protocolo institucional para minimização da exposição ao fumo cirúrgico; Identificar barreiras à implementação do protocolo.

A valorização da perceção dos enfermeiros poderá apoiar a criação de estratégias mais adequadas à prática clínica, promovendo maior adesão às medidas preventivas. Revela-se um estudo inovador para a enfermagem em geral e para a enfermagem médico-cirúrgica em particular.

  • Escola Superior de Enfermagem de Coimbra
  • Caus, N. C., Barbosa, K. H., Leachi, H. F., Rocha, A. F., & Ribeiro, R. P. (2023). Análise da incidência de sinais e sintomas relacionados à exposição ocupacional ao fumo cirúrgico na residência. Revista de Enfermagem Referência, 6(2), e22082. https://doi.org/10.12707/RVI22082

    Dennis, V. (2022). Needed Practice Change: Surgical Smoke Evacuation. AORN Journal, 116(2), 103 – 105. http://doi.org/10.1002/aorn.13756

    Giersbergen, M. Y. V., Alcan, A. O., Kaymakci, S., Ozsaker, E. & Dirimese, E. (2019). Investigation of Surgical Smoke Symptoms and Preventive Measures in Turkish Operating Rooms. International Journal of Health Sciences and Research, 9(1), 138-144. https://www.ijhsr.org/IJHSR_Vol.9_Issue.1_Jan2019/22.pdf

    Hill, D. S., O’Neill, J. K., Powell, R. J. & Oliver, D. W. (2012). Surgical smoke: A health hazard in the operating theatre: A study to quantify exposures and a survey of the use of smoke extractor systems in UK plastic surgery units. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery, 65(7), 911-916. https://doi.org/10.1016/j.bjps.2012.02.012

    Mello, T. M., Rodrigues, L. L. B. & Glanzner, C. H. (2023). Trabalho da equipe de enfermagem do bloco cirúrgico: riscos de danos à saúde. Revista SOBECC, 28(0), 1-7. https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/848

    Michaelis, M., Hofmann, F. M., Nienhaus, A. & Eickmann, U. (2020). Surgical Smoke - Hazard Perceptions and Protective Measures in German Operating Rooms. International Journal of Enviromental Research and Public Health, 17, 515. doi:10.3390/ijerph17020515

    Nobre, P. I. R. (2017). Riscos no Bloco Operatório - implicações na gestão. [Tese de mestrado, Universidade da Beira Interior]. Repositório Digital da Universidade Beira Interior. https://ubibliorum.ubi.pt/bitstreams/8571e6dc-9064-417b-b930- 3665fb2e5320/download

    Informação do projeto

    • Data de Início

      19/11/2025

    • Data de conclusão

      19/05/2027

    • Projeto Estruturante

      A pessoa em situaçâo perioperatoria

    • Linha Temática

      Self-care and health-disease

    • Target population
      • Enfermeiros
    • Palavras-chave
      • Segurança
      • Enfermagem perioperatória
      • Doenças profissionais
      • Fumo cirúrgico
    • Áreas prioritárias
      • Segurança do doente e efetividade dos cuidados
      • Metodologias de cuidados de enfermagem diferenciados (complexos)
    • ODS da Agenda 2030 das Nações Unida
      • Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
    • Equipa de Projeto
      • Mariana Pires Gomes IR
      • Rui Filipe Lopes Gonçalves OR
      • Pedro Miguel Lopes de Sousa OR