O cancro da mama é o cancro mais frequentemente diagnosticado no mundo (Sung et al., 2021) e o seu diagnóstico precoce deve-se à maior facilidade de implementação de campanhas de rastreio e à utilização generalizada da mamografia . Aproximadamente 15-20% dos cancros da mama apresentam uma amplificação do gene HER2 ou, de outra forma, uma sobreexpressão do recetor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2) (Movchan et al., 2022). As terapias que visam o HER2 (por exemplo, anticorpos monoclonais, conjugados anticorpo-fármaco e pequenas moléculas) têm tido um êxito importante. Nas duas décadas que se seguiram à introdução do tratamento com trastuzumab, a maioria das doentes com cancro da mama HER2-positivo (HER2+), em fase inicial, foi curada e as que não foram curadas obtiveram uma melhoria considerável e duradoura da qualidade de vida e da sobrevivência global (He et al., 2023). Além disso, as doentes com doença metastática limitada HER2+ (doença metastática menos extensa/de pequeno volume) ou doença recorrente loco-regional extensa, ou que tinham doença metastática, mas que respondiam de forma excecional (alcançando uma resposta completa de longa duração), tiveram uma taxa de cura superior a 30%. Devido ao sucesso do tratamento com anticorpos monoclonais e conjugados anticorpo-fármaco dirigidos ao recetor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2), a maioria dos doentes com cancro da mama HER2-positivo em fase inicial (BC HER2+) e alguns com doença metastática limitada foram curados, e os que não foram curados obtiveram melhorias significativas na sobrevivência global, o que enfraqueceu o papel do sistema de estadiamento TNM no prognóstico do BC HER2+ atualmente (He et al., 2023 ). Todavia, existe uma preocupação crescente com a cardiotoxicidade associada ao tratamento em doentes com cancro da mama. A utilização de terapias sistémicas adjuvantes reduz, pelo menos, para metade o risco de morte por cancro da mama (Yang et al., 2022). Atualmente, 80% dos doentes com cancro da mama sobrevivem durante pelo menos 10 anos e muitos tornar-se-ão sobreviventes a longo prazo. Existem, no entanto, preocupações sobre os efeitos adversos tardios para a saúde associados à terapêutica, incluindo eventos cardiovasculares (Yang et al., 2022). A utilização de terapias (neo-)adjuvantes, comuns para o cancro da mama, tem sido associada a um risco acrescido de doenças cardíacas, incluindo insuficiência cardíaca, arritmias e doença cardíaca isquémica. No entanto, esta evidência provém principalmente de estudos que se centram em subgrupos específicos de doentes com base na idade, estádio do cancro ou regime de tratamento (Chung et al., 2020).
A melhoria do diagnóstico precoce e dos tratamentos atempados do cancro resultou numa melhoria da taxa de sobrevivência na última década, com uma população crescente de sobreviventes de cancro da mama. Apesar da evolução do tratamento quimioterápico, existe uma preocupação crescente com a cardiotoxicidade associada ao tratamento em doentes com cancro da mama. A cardiotoxicidade engloba um espetro de efeitos cardiológicos adversos experimentados pelas pessoas com cancro durante e após a administração de tratamentos antineoplásicos.
A realização desta investigação permitirá avaliar o impacto da quimioterapia na função cardíaca nos doentes oncológicos.
Identificar qual o tipo de quimioterapia a que o doente com sinais de cardiotoxicidade é submetido;
Identificar os efeitos cardiotóxicos provocados pela quimioterapia.
Analisar a cardiotoxicidade causada pela QT nos doentes com cancro da mama com HER+ e nos doentes com cancro da mama com HER-;
Identificar os fatores de risco que predispõem o doente com Cancro da Mama a cardiotoxicidade após tratamento quimioterápico.
Os resultados obtidos com esta investigação permitirão, primeiro, desenvolver conhecimento sobre o fatores de risco que predispõem o doente com Cancro da Mama a cardiotoxicidade após tratamento quimioterápico, desenvolver estratégias de promoção de saúde nos diferentes contextos clínicos e dotar os profissionais de saúde de conhecimentos mais sólidos sobre a forma como intervir nos diferentes níveis de promoção da saúde.
Não aplicávelChung IY, Lee JW, Moon H-G, Shin KH, Han W, Son BH, Ahn S-H, Noh D-Y. Effect of standard low-dose anthracycline chemotherapy on late congestive heart failure in breast cancer survivors aged between 50 and 59 at diagnosis: A nationwide study. Breast (Edinburgh, Scotland) 2020;53:125–129. doi: 10.1016/j.breast.2020.07.006
He X, Yeung SJ, Esteva FJ. A new paradigm for classifying and treating HER2-positive breast cancer. Cancer Rep (Hoboken). 2023 Aug;6(8):e1841. doi: 10.1002/cnr2.1841
Movchan OV, Bagmut IY, Shipko AF, Smolanka Senior II, Sheremet MI, Kolisnyk IL, Bagmut OV, Lyashenko AO, Loboda AD, Ivankova OM, Dosenko IV, Lazaruk OV, Gyrla YV, Bilookyi OV. HER2/positive and HER2/low in inflammatory breast cancer recurrence. J Med Life. 2022 Dec;15(12):1573-1578. doi: 10.25122/jml-2022-0213
Sung H, Ferlay J, Siegel RL, Laversanne M, Soerjomataram I, Jemal A, Bray F. Global Cancer Statistics 2020: GLOBOCAN Estimates of Incidence and Mortality Worldwide for 36 Cancers in 185 Countries. CA Cancer J Clin. 2021 May;71(3):209-249. doi: 10.3322/caac.21660
Yang H, Bhoo-Pathy N, Brand JS, Hedayati E, Grassmann F, Zeng E, Bergh J, Bian W, Ludvigsson JF, Hall P, Czene K. Risk of heart disease following treatment for breast cancer - results from a population-based cohort study. Elife. 2022 Mar 16;11:e71562. doi: 10.7554/eLife.71562
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