O envelhecimento demográfico constitui uma das principais transformações sociais contemporâneas, colocando desafios significativos aos sistemas de saúde, nomeadamente na organização de cuidados em contexto institucional. O aumento do número de pessoas idosas que carecem de cuidados de longa duração reforça a necessidade de assegurar não só cuidados básicos adequados, mas também ambientes que promovam o bem-estar global, através da valorização do conforto ambiental.Neste contexto, o conforto assume-se como um conceito central nos cuidados de enfermagem. De acordo com a Teoria do Conforto de Kolcaba, o conforto pode ser entendido como a experiência de ser apoiado e fortalecido (Kolcaba, 2003; Lin et al., 2023). Trata-se de um conceito multidimensional, que integra componentes físicas, psicoespirituais, socioculturais e ambientais, sendo simultaneamente um objetivo e um resultado esperado da prática de enfermagem (Kolcaba, 2003; Lima et al., 2016).O conforto ambiental, enquanto dimensão específica deste conceito, engloba diversos fatores relacionados com o ambiente físico, tais como a temperatura, a iluminação e o ruído, mas também aspetos mais subjetivos, como a perceção de segurança e privacidade (Boulton et al., 2023; Kolcaba, 2003; Tsuzuki et al., 2021) A integração destes elementos contribui para a melhoria da qualidade dos cuidados, promovendo relações terapêuticas mais eficazes entre profissionais de saúde, pessoas idosas e suas famílias.Apesar do reconhecimento do papel fundamental dos enfermeiros na promoção do conforto (Tian, 2023), a evidência científica demonstra que estes profissionais enfrentam dificuldades na avaliação sistemática das necessidades de conforto das pessoas idosas e na implementação de intervenções adequadas (Nuraini et al., 2017). Esta limitação está, em parte, associada à escassez de conhecimento baseado na evidência relativamente ao impacto do ambiente físico nos resultados em saúde e na segurança em contextos de cuidados prolongados (Pettersson et al., 2021).Face a esta realidade, foi desenvolvida uma scoping review com o objetivo de mapear as estratégias e intervenções implementadas por enfermeiros em instituições de cuidados de longa duração para promover o conforto ambiental das pessoas idosas (Lobão et al., 2024). No entanto, a inexistência de estudos que cumprissem os critérios de inclusão definidos, evidenciou uma lacuna significativa na literatura, salientando a necessidade de aprofundar o conhecimento nesta área, nomeadamente no que se refere aos desafios, e fatores facilitadores associados à implementação e avaliação de intervenções de conforto ambiental.A promoção do conforto ambiental revela-se, assim, não apenas uma exigência ética dos cuidados de saúde, mas também uma estratégia com impacto direto nos resultados em saúde, podendo contribuir para a redução de situações de stress, melhoria do bem-estar e aumento da satisfação com os cuidados prestados. (Langmann, 2023).Face à lacuna identificada na literatura (Lobão et al., 2024) e à relevância do conforto ambiental para a qualidade dos cuidados, torna-se necessário aprofundar o conhecimento sobre esta dimensão a partir de uma abordagem integrada, que considere simultaneamente a perspetiva das pessoas idosas e dos profissionais de saúde. Assim, o presente projeto propõe-se, numa primeira fase, mapear os aspetos do conforto ambiental valorizados pelas pessoas idosas em contexto de cuidados de longa duração e, numa segunda fase, explorar a perceção dos enfermeiros relativamente aos fatores que influenciam a implementação e avaliação de intervenções nesta área. Esta abordagem permitirá articular a evidência científica com a prática clínica, contribuindo para o desenvolvimento de intervenções mais ajustadas às necessidades das pessoas idosas e às especificidades dos contextos de cuidados.
O envelhecimento demográfico e o aumento do número de pessoas idosas em contextos institucionais de cuidados de longa duração colocam desafios relevantes à qualidade dos cuidados, destacando a importância do conforto ambiental como componente essencial do bem-estar. Apesar do seu reconhecimento na prática de enfermagem, subsistem lacunas na evidência científica relativamente aos aspetos do conforto ambiental valorizados pelas pessoas idosas e aos fatores que influenciam a implementação de intervenções nesta área.O presente projeto tem como objetivo mapear e sintetizar a evidência científica sobre os aspetos do conforto ambiental percecionados como relevantes pelas pessoas idosas e explorar a perceção dos enfermeiros relativamente aos fatores facilitadores, dificultadores, sugestões e estratégias para a implementação e avaliação de intervenções de conforto ambiental em contextos de cuidados de longa duração.Será desenvolvida uma scoping review, seguida de um estudo qualitativo com recurso a focus groups com enfermeiros. Espera-se contribuir para o desenvolvimento de intervenções mais eficazes, centradas na pessoa idosa, promovendo a qualidade dos cuidados.
1 - Mapear e sintetizar a evidência científica disponível sobre os aspetos do conforto ambiental percecionados como relevantes pelas pessoas idosas residentes em instituições de longa duração.2 - Explorar a perceção dos enfermeiros sobre fatores facilitadores, fatores dificultadores e estratégias e sugestões para a implementação e avaliação de intervenções de conforto ambiental em instituições de longa duração para pessoas idosas.
O presente projeto apresenta um carácter inovador ao centrar-se na exploração do conforto ambiental em instituições de cuidados de longa duração para pessoas idosas, uma área ainda pouco desenvolvida na evidência científica, particularmente no que se refere à implementação e avaliação de intervenções de enfermagem.A inovação reside na valorização da perceção dos enfermeiros enquanto agentes fundamentais na promoção do conforto, permitindo identificar fatores facilitadores, dificultadores e sugestões diretamente aplicáveis à prática clínica.O impacto esperado traduz-se na melhoria da qualidade dos cuidados prestados, promovendo ambientes mais seguros, confortáveis e humanizados. Indiretamente, contribuirá para o aumento do bem-estar, da dignidade e da qualidade de vida das pessoas idosas institucionalizadas, grupo particularmente vulnerável.Adicionalmente, os resultados poderão apoiar a tomada de decisão em contexto institucional, fomentar a formação dos profissionais de saúde e servir de base ao desenvolvimento de futuras intervenções e investigações nesta área.
Boulton, C., Baldwin, C., Matthews, T., & Tavares, S. (2023). Environmental Design for Urban Cooling, Access, and Safety: A Novel Approach to Auditing Outdoor Areas in Residential Aged Care Facilities. Land, 12(2), 514. https://doi.org/10.3390/land12020514
Kolcaba, K. (2003). Comfort theory and practice: A vision for holistic health care and research. Springer Publishing Company.
Langmann, E. (2023). Vulnerability, ageism, and health: is it helpful to label older adults as a vulnerable group in health care? Medicine, Health Care and Philosophy, 26(1), 133–142. https://doi.org/10.1007/s11019-022-10129-5
Lima, J. V. F., Guedes, M. V. C., Silva, L. de F. da, Freitas, M. C. de, & Fialho, A. V. de M. (2016). Utilidade da teoria do conforto para o cuidado clínico de enfermagem à puérpera: análise crítica. Revista Gaúcha de Enfermagem, 37(4). https://doi.org/10.1590/1983-1447.2016.04.65022
Lin, Y., Zhou, Y., & Chen, C. (2023). Interventions and practices using Comfort Theory of Kolcaba to promote adults’ comfort: an evidence and gap map protocol of international effectiveness studies. Systematic Reviews, 12(1), 33. https://doi.org/10.1186/s13643-023-02202-8
Lobão, C., Coelho, A., Gil Gutiérrez, R., Marçal, I., Antunes, M., & Parola, V. (2024). Strategies to Improve Environmental Comfort of Institutionalized Older Adults: A Scoping Review. Journal of Ageing and Longevity, 4(4), 328–342. https://doi.org/10.3390/jal4040024
Nuraini, T., Gayatri, D., & Rachmawati, I. N. (2017). Comfort Assessment of Cancer Patient in Palliative Care: A Nursing Perspective. International Journal of Caring Sciences, 10(1). http://www.internationaljournalofcaringsciences.org/docs/24_tuti_ABSTRACT_10_1.pdf
Peters, M., Godfrey, C., Mcinerney, P., Munn, Z., Tricco, A. C., & Khalil, H. (2020). Chapter 11 : Scoping reviews. In E. Aromataris & Z. Munn (Eds.), JBI Manual for Evidence Synthesis. JBI. https://doi.org/10.46658/JBIMES-20-12
Pettersson, C., Nilsson, M., Andersson, M., & Wijk, H. (2021). The impact of the physical environment for caregiving in ordinary housing: Experiences of staff in home- and health-care services. Applied Ergonomics, 92, 103352. https://doi.org/10.1016/j.apergo.2020.103352
Tian, Y. (2023). A review on factors related to patient comfort experience in hospitals. Journal of Health, Population and Nutrition, 42(1), 125. https://doi.org/10.1186/s41043-023-00465-4
Tricco, A. C., Lillie, E., Zarin, W., Brien, K. K. O., Colquhoun, H., Levac, D., Moher, D., Peters, M. D. J., Ma, Q., Horsley, T., Weeks, L., Hartling, L., Aldcroft, A., Hons, B. A., Wilson, M. G., & Garritty, C. (2018). PRISMA Extension for Scoping Reviews ( PRISMA-ScR ): Checklist and Explanation. Annals of Internal Medicine. https://doi.org/10.7326/M18-0850
Tsuzuki, K., Sakoi, T., & Sakata, Y. (2021). Effect of Seasonal Ambient Temperature on Sleep and Thermal Comfort in Older People Living in Public Elderly Facilities. Buildings, 11(12), 574. https://doi.org/10.3390/buildings11120574
01/05/2026
01/05/2028
CONFORTO: AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO
Self-care and health-disease