Cuidado à pessoa com hipertensão arterial resistente

A hipertensão arterial (HTA) é um dos principais fatores de risco de morte prematura e de incapacidade a nível mundial. O número de pessoas que vivem com HTA duplicou entre 1990 e 2019, passando de 650 milhões para 1,3 mil milhões (Organização Mundial de Saúde, OMS, 2020). A HTA tem estreita relação com o acidente vascular cerebral, o enfarte agudo do miocárdio, a insuficiência cardíaca, danos renais e muitos outros problemas de saúde. A idade avançada e a genética podem aumentar o risco de HTA, mas os fatores de risco modificáveis, como uma dieta rica em sal, não ser fisicamente ativo e consumo excessivo de álcool, também podem aumentar o risco de HTA (OMS, 2023). Os programas de controlo da HTA e de promoção do autocuidado nesta população, de acordo com o relatório da OMS (2023), continuam a ser negligenciados, desvalorizados e muito subfinanciados. Apesar do tratamento anti-hipertensivo, esta, pode levar à progressão do declínio da função renal devido à elevação sustentada do nível da pressão arterial (PA). A HTA resistente é frequentemente observada em doentes com doença renal crónica (Mazza et al., 2023).

As pessoas diagnosticadas com Hipertensão Resistente (HR) apresentam persistência da PA elevada apesar do uso de três drogas anti-hipertensivas de diferentes classes, ou quando o controle da PA ocorre apenas com o uso de quatro ou mais drogas, incluindo-se sempre um diurético tiazídico. Por outro lado, um subgrupo de pessoas com HR, cuja gravidade é maior, apresenta PA não controlada mesmo com o uso de cinco ou mais medicamentos, situação atualmente definida como Hipertensão Refratária (HRf) (Macedo et al., 2020).

Apesar de uma variedade de opções de tratamento farmacológico e não farmacológico para a HTA, a maioria dos doentes não atinge os objetivos de pressão arterial propostos nas diretrizes atuais (Azizi et al., 2021; Zeijen et al., 2022). A hipertensão refratária é apresentada por muitos doentes resistentes ao tratamento convencional. A múltipla terapêutica anti-hipertensiva, a falta de adesão ao tratamento, o uso de medicamentos em doses insuficientes, as interações medicamentosas, a presença de sobrecarga de sódio/volume ou de condições clínicas associadas são alguns dos fatores responsáveis pela incapacidade de tratamento da HTA (Rodrigues et al., 2004). Conhecer o perfil do doente com HTA resistente e/ou refratária permitirá desenvolver estratégias de atuação nos diferentes níveis de promoção e saúde. A par disto, é fundamental conhecer que tipos de tratamento farmacológicos e não-farmacológicos existem e que melhor se ajustam às características individuais de cada pessoa.

A hipertensão arterial (HTA) afeta mais de 1,4 mil milhões de pessoas em todo o mundo e este número está a aumentar. A deteção precoce e o tratamento adequado são necessários para prevenir a lesão renal, a insuficiência cardíaca e outras doenças cardiovasculares. A HTA resistente, definida como a pressão arterial (PA) que permanece acima do objetivo apesar da utilização de > ou = 3 medicamentos anti-hipertensores em doses máximas toleradas ou a PA que requer > ou = 4 agentes para atingir o controlo, tem exigido pela comunidade académica e clínica esforços para melhorar as taxas de controlo da PA.

Com este projeto, pretende-se definir o perfil do doente com HTA resistente e refratária, identificar e mapear as intervenções farmacológicas e não-farmacológicas administradas às pessoas com HTA resistente, identificar e mapear as intervenções farmacológicas e não-farmacológicas administradas às pessoas com HTA refratária e avaliar a eficácia da desnervação renal nos doentes com hipertensão arterial resistente e/ou refratária.

Definir o perfil do doente com hipertensão arterial resistente e refratária;

Identificar e mapear as intervenções farmacológicas e não-farmacológicas administradas às pessoas com HTA resistente;

Identificar e mapear as intervenções farmacológicas e não-farmacológicas administradas às pessoas com HTA refratária;

Avaliar a eficácia da desnervação renal nos doentes com hipertensão arterial refratária.

Os resultados obtidos com esta investigação permitirão, primeiro, desenvolver conhecimento sobre o perfil das pessoas com hipertensão arterial resistente e/ou refratária, desenvolver estratégias de promoção de saúde nos diferentes contextos clínicos e dotar os profissionais de saúde de conhecimentos mais sólidos sobre a forma como intervir nos diferentes níveis de promoção da saúde.

Não aplicável

  • Escola Superior de Saúde de Viseu
  • Azizi M, Sanghvi K, Saxena M, Gosse P, Reilly JP, Levy T, et al. Ultrasound renal denervation for hypertension resistant to a triple medication pill (RADIANCE-HTN TRIO): a randomised, multicentre, single-blind, sham-controlled trial. Lancet. 2021;397(10293):2476–2486. doi: 10.1016/S0140-6736(21)00788-1

    Macedo, C., Aras, R., & Macedo, I. (2020). Características Clínicas da Hipertensão Arterial Resistente vs. Refratária em uma População de Hipertensos Afrodescendentes. Arquivos brasileiros de cardiologia, 115(1), 31-39. https://doi.org/ 10.36660/abc.20190218

    Mazza, A., Dell’Avvocata, F., Torin, G. et al. Does Renal Denervation a Reasonable Treatment Option in Hemodialysis-Dependent Patient with Resistant Hypertension? A Narrative Review. Curr Hypertens Rep 25, 353–363 (2023). https://doi.org/10.1007/s11906-023-01264-2

    Rodrigues, C. , Cadavali, R., & Almeida, F. (2004). Hipertensão arterial refratária: uma visão geral. Rev Bras Hipertens, 11(4), 218-22.

    Zeijen VJM, Feyz L, Nannan Panday R, Veen K, Versmissen J, Kardys I, Van Mieghem NM, Daemen J. Long-term follow-up of patients undergoing renal sympathetic denervation. Clin Res Cardiol. 2022 Nov;111(11):1256-1268. doi: 10.1007/s00392-022-02056-5.

    World Health Organization (2020). Global Health Estimates 2019: Deaths by cause, age, sex, by country and by region, 2000–2019. Geneva, World Health Organization; 2020 https://www.who.int/data/gho/data/themes/mortality-and-global-health-estimates/ghe-leading-causes-of-death.

    World Health Organization (2023). Global report on hypertension The race against a silent killer. https://reliefweb.int/report/world/global-report-hypertension-race-against-silent-killer

    Informação do projeto

    • Data de Início

      16/07/2024

    • Data de conclusão

      31/12/2025

    • Projeto Estruturante

      Enfermagem à Pessoa com Doença CardioPulmonar: CP4D - Investigar e Inovar para Formar e Cuidar

    • Linha Temática

      Self-care and health-disease

    • Target population
      • Pessoas com o diagnóstico de hipertensão arterial resistente.
    • Palavras-chave
      • Hipertensão
      • Fatores de Risco
      • Adesão à Medicação
      • Cuidados de Enfermagem
    • Áreas prioritárias
      • Educação para a Saúde e Literacia
      • Formação e desenvolvimento dos profissionais de saúde
      • Metodologias de cuidados de enfermagem diferenciados (complexos)
    • ODS da Agenda 2030 das Nações Unida
      • Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
    • Equipa de Projeto
      • Mauro Alexandre Lopes Mota IR
      • Claudia Margarida Correia Balula Chaves
      • Maria Madalena Jesus Cunha Nunes
      • Joana Alves