O enfarte agudo do miocárdio (EAM) mantém-se entre as principais causas de morbilidade e mortalidade, produzindo repercussões físicas, funcionais, emocionais e sociais. A transição do hospital para o contexto natural é um período de elevada vulnerabilidade: a pessoa deixa um ambiente clínico protegido e assume maior responsabilidade pela gestão da medicação, reconhecimento de sinais de alarme, adaptação de estilos de vida, retoma da atividade física e reintegração familiar, social e profissional. A literatura descreve risco significativo de recurso não programado aos serviços e de reinternamento nos primeiros 30 dias após a alta, bem como dificuldades persistentes na adesão à terapêutica e na participação em programas de reabilitação cardíaca. As recomendações internacionais defendem uma transição estruturada, multidisciplinar e centrada na pessoa e família. Entre as intervenções com benefício encontram-se a preparação progressiva da alta, educação terapêutica individualizada, uso de estratégias como o teach-back, reconciliação terapêutica, seguimento telefónico ou presencial precoce, telemonitorização, referenciação para reabilitação cardíaca e articulação entre hospital e cuidados de saúde primários. Apesar desta evidência, persistem falhas na coordenação interinstitucional, na continuidade assistencial e no apoio informacional, organizacional, psicológico e social. A informação pode ser transmitida num momento de ansiedade e vulnerabilidade, sem confirmação da compreensão, e nem sempre contempla dimensões menos visíveis, como medo de recorrência, sexualidade, sofrimento emocional e recuperação da confiança no corpo. A investigação disponível tende ainda a privilegiar resultados clínicos e a perspetiva dos serviços. Torna-se, por isso, necessário compreender a experiência das próprias pessoas, identificando necessidades que apenas se tornam evidentes no confronto com o quotidiano após a alta. Este estudo responde a essa lacuna através de uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, informada também por princípios de Ciência Cidadã. O conhecimento a produzir poderá orientar programas estruturados de transição, percursos assistenciais integrados e indicadores de qualidade relacionados com prontidão para a alta, compreensão da informação, acesso ao seguimento, referenciação para reabilitação, reinternamentos e experiência da pessoa. No âmbito da gestão em enfermagem, estes contributos poderão apoiar decisões organizacionais destinadas a melhorar a segurança, a continuidade dos cuidados, a autonomia e a qualidade de vida após o EAM.
Enquadramento: O enfarte agudo do miocárdio (EAM) é um evento súbito com impacto físico, psicológico, social e funcional. A transição do hospital para o contexto natural constitui uma fase crítica, durante a qual podem emergir necessidades não antecipadas no internamento. Objetivo: Compreender as necessidades percebidas por pessoas que vivenciaram um EAM durante a transição do hospital para o contexto natural. Método: Será realizado um estudo qualitativo, exploratório e descritivo, com oito adultos com diagnóstico prévio de EAM. Os dados serão recolhidos através de três grupos focais online e analisados segundo a análise temática de Braun e Clarke, com apoio do ATLAS.ti. Serão assegurados os critérios de rigor da investigação qualitativa e os princípios éticos aplicáveis. Resultados esperados: Pretende-se identificar necessidades informacionais, emocionais, funcionais e de continuidade de cuidados que emergem após a alta. Espera-se que o conhecimento produzido apoie intervenções de enfermagem estruturadas, informação individualizada, acompanhamento precoce e articulação entre níveis de cuidados, promovendo segurança, confiança, autocuidado e autonomia.
Objetivo geralCompreender as necessidades percebidas pelas pessoas que tiveram enfarte agudo do miocárdio no processo de transição do hospital para o seu contexto natural.Questões de investigação1. Quais as necessidades percebidas pelas pessoas que tiveram enfarte agudo do miocárdio no processo de transição do hospital para o seu contexto natural?2. Quais os aspetos facilitadores e/ou dificultadores do processo de transição do hospital para o seu contexto natural?
A inovação reside na produção de conhecimento centrado na experiência das pessoas após enfarte agudo do miocárdio e na sua tradução para a organização dos cuidados. O estudo aborda a transição hospital-contexto natural como um percurso que pode exigir informação personalizada, continuidade assistencial, apoio emocional e mecanismos acessíveis de contacto. Os resultados poderão informar programas estruturados de transição, incluindo preparação progressiva para a alta, confirmação da compreensão, seguimento precoce, articulação com os cuidados de saúde primários e reabilitação cardíaca, bem como atenção às necessidades psicológicas, relacionais e sexuais. Espera-se contribuir para maior segurança, confiança, autonomia e capacidade de autocuidado e fornecer aos profissionais e gestores elementos para aperfeiçoar procedimentos, percursos assistenciais e indicadores de qualidade. Na fase inicial foi realizada uma consulta com cidadãos com experiência de enfarte agudo do miocárdio, diferentes dos oito participantes dos grupos focais. Estes cidadãos não integraram a equipa de investigação e não participaram no recrutamento, recolha, análise ou interpretação dos dados, nem na tomada de decisões científicas. O seu contributo limitou-se à apreciação da relevância social do tema, da clareza da linguagem e da adequação do guião, ajudando a reformular questões. Os contributos não serão tratados como dados ou resultados da investigação. Os cidadãos consultados serão posteriormente informados dos principais resultados, reforçando a transparência e a transferência do conhecimento para a sociedade.
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05/04/2026
05/10/2027
QUALIDADE DE VIDA, NECESSIDADES E PROMOÇÃO DA AUTONOMIA DE PESSOAS EM PROCESSOS DE TRANSIÇÃO DE SAÚDE
Self-care and health-disease