Perioperative RIsk Management & Safety through Training and Practice (PRIM-Safe Project)

A segurança e a qualidade dos cuidados perioperatórios (pré, intra e pós-operatório) têm recebido atenção crescente devido à complexidade e frequência dos procedimentos cirúrgicos. Este período exige uma abordagem multidisciplinar baseada em evidências para mitigar riscos, otimizar a clínica e prevenir complicações, impactando diretamente a qualidade de vida dos utentes e a sustentabilidade dos sistemas de saúde (Dencker et al., 2021; Zaki et al., 2024).

Contudo, subsistem lacunas no conhecimento sobre estratégias eficazes de prevenção de complicações. Este projeto visa abordar essa lacuna e contribuir para práticas mais seguras e eficientes. Uma avaliação rigorosa do risco perioperatório é essencial para identificar comorbidades, diagnosticar condições ocultas e preparar adequadamente o utente, minimizando morbilidade e mortalidade associadas a complicações (Buie & MacLean, 2014). Intervenções pré-habilitadoras, como a otimização nutricional, exercícios físicos e monitorização clínica, têm demonstrado eficácia na recuperação e nos desfechos cirúrgicos (Mahendran et al., 2023).

Além disso, a teoria da vigilância antecipatória (O'Brien et al., 2017) descreve estratégias como orquestração, rotinização e adaptação momentânea para garantir segurança no ambiente cirúrgico. A orquestração enfatiza a gestão eficaz de tarefas e responsabilidades, enquanto a rotinização implementa práticas consistentes para reduzir erros. A adaptação momentânea permite respostas rápidas a situações imprevistas, baseando-se no conhecimento avançado e na colaboração. Este modelo, integrado a práticas baseadas em evidências, destaca a necessidade de formação contínua e competências para lidar com a variabilidade do perioperatório.

Iniciativas nacionais como o Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2021-2026 reforçam a capacitação de profissionais e a implementação de práticas seguras, essenciais para lidar com vulnerabilidades perioperatórias (Despacho n.º 9390/2021, de 24 de setembro).

A gestão de risco perioperatório está intimamente ligada ao desenvolvimento de competências em enfermagem e à utilização de estratégias digitais. A capacitação contínua dos enfermeiros em áreas como vigilância antecipatória e resposta a eventos críticos fortalece a segurança e a qualidade dos cuidados. Simultaneamente, ferramentas digitais, como sistemas de monitorização clínica e plataformas eletrónicas, melhoram a análise e mitigação de riscos. A pedagogia digital complementa esse processo, permitindo formação interativa e acessível, que preparam o enfermeiros para a complexidade. Contudo, a adoção de tecnologias digitais nos cuidados permanece um desafio, mesmo diante de evidências sobre sua eficácia na otimização da segurança e qualidade (Mahendran et al., 2023; Zaki et al., 2024).

A segurança da equipa perioperatória é igualmente crítica, considerando riscos biológicos, químicos e mecânicos nos ambientes cirúrgicos. Comunicação eficaz e transferência adequada de informações são indispensáveis para evitar erros e assegurar o bem-estar dos utentes (AORN, 2024). Paralelamente, abordagens centradas no utente, aliadas à tecnologia, permitem um acompanhamento mais personalizado, promovendo recuperação mais eficiente e menos complicações.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 134 milhões de eventos adversos ocorrem anualmente em hospitais de países subdesenvolvidos, causando 2,6 milhões de mortes. Entre 3% e 16% das intervenções cirúrgicas resultam em complicações, levando a até sete milhões de lesões incapacitantes. Os eventos adversos, definidos como lesões não intencionais decorrentes do cuidado em saúde, incluem lesões em órgãos, choque hemorrágico, infeções e erros na administração de medicamentos (WHO, 2021). A gestão de riscos é essencial para minimizar estas ocorrências, integrando identificação, análise, avaliação, tratamento e monitorização (AORN, 2024; WHO, 2021).

O mapeamento de processos no ambiente cirúrgico é uma ferramenta valiosa para documentar interações e implementar melhorias na qualidade dos cuidados. Em contextos de elevada pressão, auxilia na identificação e mitigação de vulnerabilidades, permitindo a implementação de barreiras para prevenir eventos adversos (Fachola et al., 2022). Este ciclo contínuo de avaliação e monitorização promove a segurança do utente e da equipa, reforçando o ambiente de aprendizagem e melhoria contínua, no qual a vigilância antecipatória desempenha um papel central nos cuidados perioperatórios

A segurança e qualidade dos cuidados perioperatórios são uma prioridade crescente devido à complexidade e frequência das intervenções cirúrgicas. O projeto surge alinhado com o Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2021-2026 e com as prioridades globais da OMS. Estudos prévios enfatizam a relevância de intervenções pré-habilitadoras e da padronização das práticas de gestão de risco, aspetos que permanecem desafios críticos. Este estudo procura preencher essas lacunas e integrar estratégias baseadas em evidências para promover a segurança e qualidade nos cuidados perioperatórios. Este projeto visa otimizar práticas clínicas, reduzir complicações e promover a recuperação cirúrgica segura, abordando lacunas de conhecimento existentes através de abordagens inovadoras. Inclui abordagens metodológicas complementares como revisão sistemática, painel Delphi e estudos qualitativos e quantitativos para mapear fatores de risco, validar recomendações, explorar barreiras e facilitadores e avaliar a efetividade de estratégias digitais na gestão do risco. O caráter inovador reside na integração do modelo da vigilância antecipatória e aplicação de tecnologias digitais na formação e prática em cuidados perioperatórios. Os resultados esperados incluem identificação de prioridades de intervenção na gestão do risco, redução de complicações, melhoria da segurança do doente, capacitação profissional e alinhamento com políticas de saúde.

• Mapear a evidência disponível sobre os principais fatores de risco e estratégias de prevenção de complicações perioperatórias em pessoas submetidas a intervenção cirúrgica.

• Avaliar o grau de consenso entre peritos quanto às recomendações para a prevenção de complicações perioperatórias em pessoas submetidas a intervenção cirúrgica.

• Explorar as perceções dos enfermeiros sobre as barreiras e facilitadores para a implementação de práticas de gestão do risco e segurança no contexto perioperatório.

• Avaliar as atitudes e as práticas dos enfermeiros relativamente à segurança e gestão do risco em contexto perioperatório.

• Avaliar a adesão dos enfermeiros às recomendações para prevenção de complicações pós-operatórias e gestão do risco em pessoas submetidas a intervenção cirúrgica.

• Avaliar a efetividade de estratégias digitais no desenvolvimento de competências em enfermagem perioperatória.

Este estudo pretende identificar barreiras e facilitadores críticos que afetam a implementação de práticas seguras e eficazes no contexto perioperatório. Espera-se ainda mapear fatores de risco perioperatório específicos, consolidar evidências sobre estratégias preventivas e desenvolver recomendações práticas que possam ser adaptadas a diferentes realidades clínicas. Existe a expectativa de promover a padronização das práticas de gestão do risco, com potencial para reduzir significativamente as taxas de complicações pós-operatórias. O impacto esperado inclui não só melhorias na segurança da pessoa e na qualidade dos cuidados, mas também o fortalecimento da formação contínua dos profissionais de saúde, fornecendo-lhes ferramentas digitais baseadas em evidências para lidar com os desafios do perioperatório. Finalmente, o estudo contribuirá para o alinhamento com as prioridades estratégicas definidas pelos documentos normativos nacionais e internacionais.

Os cidadãos serão envolvidos em painéis consultivos para validar a relevância dos conteúdos formativos (tarefa 6), assegurando o alinhamento com as necessidades de segurança e qualidade dos cuidados. A capacitação será realizada com workshops introdutórios.

O envolvimento será assim numa vertente consultiva, através de painéis consultivos de cidadãos, numa abordagem interativa e sistemática com o intuito de obter opiniões. Serão ainda incluidos numa fase complementar os end-users das estratégias digitais previstas na tarefa 6 (os enfermeiros de cuidados perioperatórios).

  • Unidade Local de Saúde de Coimbra
  • Instituto Português de Oncologia de Coimbra
  • AORN (2024). Guidelines for Perioperative Practice. Association of Operating Room Nurses.

    Buie, W.D., MacLean, A.R. (2014). Perioperative Risk Assessment. In: Steele, S.R., Maykel, J.A., Champagne, B.J., Orangio, G.R. (eds) Complexities in Colorectal Surgery. Springer, New York, NY. https://doi.org/10.1007/978-1-4614-9022-7_2

    Dencker, E. E., Bonde, A., Troelsen, A., Varadarajan, K. M., & Sillesen, M. (2021). BMC Surgery, 21(1). https://doi.org/10.1186/s12893-021-01392-z

    Fachola, K., Vilela, R. P. B., Calil, A. S. G., Feldman, L. B., Nogueira, D. N. G., Silva, C. P. R., ... & de Carvalho Jericó, M. (2022). Proposta de Gestão de riscos: mapeamento de fluxo, riscos e estratégias de segurança em um centro cirúrgico. Research, Society and Development, 11(6), e33111622283.

    O’Brien, B., Andrews, T., & Savage, E. (2017). Journal of Clinical Nursing, 27(1–2), 247–256. https://doi.org/10.1111/jocn.13881

    Mahendran, S., Thiagalingam, A., Hillis, G., Halliwell, R., Pleass, H. C., & Chow, C. K. (2023). Cardiovascular risk management in the peri‐operative setting. Medical Journal of Australia, 219(1). https://doi.org/10.5694/mja2.51988

    Zaki, H. A., Shaban, E. E., Shaban, A., Alkahlout, B. H., Shallik, N. A., & Azad, A. M. (2024). Perioperative Preparation of Emergency Patients from Emergency Department to Operating Room. https://www.intechopen.com/chapters/1185880

    WHO (2021). Global patient safety action plan 2021–2030: towards eliminating avoidable harm in health care. WHO. https://www.who.int/publications/i/item/9789240032705

    Informação do projeto

    • Data de Início

      01/03/2025

    • Data de conclusão

      29/02/2028

    • Projeto Estruturante

      A pessoa em situaçâo perioperatoria

    • Linha Temática

      Self-care and health-disease

    • Target population
      • Enfermeiros a exercer funções em contexto perioperatório
    • Palavras-chave
      • segurança
      • perioperatório
      • gestão de risco
      • complicações
      • prevenção
      • enfermagem
    • Áreas prioritárias
      • Educação para a Saúde e Literacia
      • Inovação em Tecnologia dos cuidados de enfermagem
      • Formação e desenvolvimento dos profissionais de saúde
      • Metodologias de cuidados de enfermagem diferenciados (complexos)
    • ODS da Agenda 2030 das Nações Unida
      • Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
      • Garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos
    • Equipa de Projeto
      • Pedro Miguel Lopes de Sousa IR
      • Rui Filipe Lopes Gonçalves
      • Ivo Cristiano Soares Paiva
      • Marco António Rodrigues Gonçalves
      • Maria do Céu Mestre Carrageta
      • Maria da Conceição Giestas Baía Saraiva