As feridas complexas/crónicas têm um impacto significativo na qualidade de vida da pessoa e nos sistemas de saúde (Isoherranen et al., 2023). Entre estas, destacam-se as úlceras, caraterizadas por perda de pele que se estende para além da epiderme, com possível perda de tecido necrótico e hemorragia, sendo geralmente de cicatrização difícil (Masterson, 2020, p. 1807). Nos membros inferiores, estas feridas podem ser divididas em seis categorias principais: venosas; arteriais; mistas; pé diabético; úlceras de pressão; e úlceras atípicas. No contexto clínico, não é incomum encontrar uma pessoa que apresente insuficiência arterial e venosa e que também tenha uma ferida com apresentação atípica (Isoherranen et al., 2023).Mais de 90% das doenças arteriais nos membros inferiores resultam do estreitamento das artérias periféricas, obstruindo o fornecimento de oxigénio às células dos tecidos periféricos. A condição subjacente é a aterosclerose, que afeta todos os territórios vasculares. A diminuição do fluxo de oxigénio e da eliminação de resíduos metabólicos, combinada com um percurso de difusão prolongado, implica uma diminuição da resistência dos tecidos à carga e à infeção, levando a uma redução no potencial de cicatrização da ferida (Isoherranen et al., 2023).O diagnóstico de “ferida isquémica” baseia-se em características clínicas combinadas com um exame físico objetivo da pessoa, descrevendo a localização, extensão e aparência da ferida. A palpação dos pulsos pediosos e a avaliação do índice de pressão tornozelo-braço (IPTB) são exames de primeira linha para avaliar a presença e gravidade da doença arterial periférica (DAP) (Isoherranen et al., 2023).É essencial distinguir as etiologias das úlceras (arteriais, venosas ou mistas), porque o principal tratamento das úlceras venosas é a terapia compressiva e, se esta for aplicada a úlceras arteriais sem outros cuidados, pode levar à necrose e potencialmente à necessidade de amputação. A chave para o tratamento da insuficiência arterial é melhorar o aporte sanguíneo. Assim, na maioria das situações, a intervenção cirúrgica (angioplastia) é necessária para contornar ou eliminar a obstrução. Para muitas pessoas, isso pode não ser possível devido à sua preferência, idade e estado geral de saúde, ou devido à doença arterial distal difusa, em que os vasos a reconstruir são demasiado pequenos. As opções não cirúrgicas incluem cuidados adequados da ferida, exercícios para aumentar o aporte sanguíneo à perna, intervenções farmacológicas e terapêuticas como a oxigenação hiperbárica, e reabilitação (Broderick et al., 2020).Algumas das características das úlceras arteriais são o pequeno tamanho, bordos irregulares, leito de ferida seco com tecido de granulação não viável, e pele circundante pálida, brilhante e sem pelos. Em termos de localização, são mais comuns na região maleolar lateral e no pé e nos dedos (Romero et al., 2019; Aschwanden et al., 2024).Relativamente ao diagnóstico, a primeira linha é a palpação dos pulsos do pé (dorsal e/ou tibial posterior). Se forem palpáveis, isso indica que a pressão no tornozelo está acima de 100 mmHg, o que é um bom indicador para o tratamento de feridas isquémicas. Se os pulsos não forem palpáveis, devem ser realizados exames vasculares complementares não invasivos mais aprofundados. Em seguida, deve ser avaliado o IPTB, que é obtido dividindo a pressão sistólica no tornozelo pela pressão sistólica no braço. A arteriopatia moderada é geralmente definida por um IPTB igual ou inferior a 0,90, e a arteriopatia grave por um IPTB inferior a 0,5 (Aschwanden et al., 2024).Como ainda não existe uma definição clara da prevalência deste problema e a evidência está dispersa e inconsistente, considerou-se relevante propor este projeto. Foi realizada uma pesquisa preliminar na JBI Evidence Synthesis, Cochrane Database of Systematic Reviews, PROSPERO, Open Science Framework e MEDLINE (PubMed), que não identificou revisões sistemáticas. Para este fim, estabeleceu-se a seguinte questão de revisão: qual é a prevalência das úlceras arteriais da perna em adultos?
Introdução: Uma úlcera de perna de etiologia arterial é considerada uma ferida dolorosa e que não cicatriza na parte inferior da perna ou no pé, causada por uma perfusão sanguínea inadequada. Esta condição é conhecida como insuficiência arterial ou doença arterial periférica e restringe o fornecimento de oxigénio e nutrientes necessários para a cicatrização. Como ainda não existe uma definição clara da prevalência deste problema e as evidências são dispersas e inconsistentes, considerámos relevante realizar esta revisão sistemática. Objetivo: Determinar a prevalência de úlceras de perna de etiologia arterial em adultos. Métodos: Será realizada uma revisão sistemática da prevalência com meta-análise, de acordo com o método proposto pelo JBI. O protocolo foi registado no PROSPERO. A seleção dos estudos, a extração e a síntese dos dados serão realizadas por dois revisores independentes. Resultados: Espera-se a inclusão de vários estudos que abordam a prevalência de úlceras de perna de etiologia arterial em adultos. A sistematização e agregação estatística das taxas de prevalência dos diferentes estudos permitirão uma medição mais precisa com intervalos de confiança mais curtos. Além disso, fornecerá informações sobre a prevalência do problema em diferentes contextos/países. Conclusão: Esta revisão sistemática resumirá a prevalência de úlceras arteriais nas pernas em adultos.
(1) Determinar a prevalência de úlceras de perna de etiologia arterial em adultos. (2) Avaliar a evolução temporal da prevalência de úlceras de perna de etiologia arterial em adultos.
A revisão será registada na plataforma PROSPERO e o seu protocolo alvo de publicação.
Este projeto contribuirá para a síntese da evidência científica relativa à prevalência das úlceras de perna de etiologia arterial, constituindo uma etapa essencial para a implementação de cuidados de saúde informados pela evidência e centrados nas necessidades das pessoas afetadas. A disponibilização de estimativas robustas permitirá apoiar a tomada de decisão em políticas de saúde, promover práticas clínicas equitativas e contribuir para a melhoria da qualidade dos cuidados prestados.
Aschwanden, J., Hafner, J., Jacomella, V., & Läuchli, S. (2024). Arterial Leg Ulcers. In L. Téot, S. Meaume, S. Akita, V. Del Marmol, & S. Probst (Eds.), Skin Necrosis (pp. 305-310). Springer Nature Switzerland. https://doi.org/10.1007/978-3-031-60954-1_48
Broderick, C., Pagnamenta, F., & Forster, R. (2020). Dressings and topical agents for arterial leg ulcers. Cochrane Database of Systematic Reviews, (1), 6. https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD001836.pub4/epdf/full
Isoherranen, K., Montero, E. C., Atkin, L., Collier, M., Høgh, A., Ivory, J. D., ... & Probst, S. (2023). Lower Leg Ulcer Diagnosis & Principles of Treatment: Including Recommendations for Comprehensive Assessment and Referral Pathways. Journal of Wound Management, (2), 7, 19, 20. https://ewma.org/wp-content/uploads/2023/12/EWMA_Lower_Leg_Ulcer_Diagnosis_web.pdf
Masterson, K. N. (2020). Avaliação da função tegumentar. In J. L. Hinkle & K. H. Cheever (Eds.), Tratado de enfermagem médico-cirúrgica (14ª ed., Vol. 2, pp. 1798-1813). Guanabara Koogan.
Munn, Z., Moola, S., Lisy, K., Riitano, D., & Tufanaru, C. (2020). Chapter 5: Systematic reviews of prevalence and incidence. In: Aromataris E, Munn Z (Editors). JBI Manual for Evidence Synthesis. JBI. Available from https://synthesismanual.jbi.global. https://doi.org/10.46658/JBIMES-20-06
Romero, J. M. R., Martín, M. R., Guillena, M. B., Guillén G. C., Romero, D. C., & Salgado, J. G. (2019). Úlceras arteriales y venosas: La física de la dinâmica de fluidos vasculares como base de la prevención primaria enfermera. ROL – Revista de Enfermería, 43(5), 52-59.
01/10/2025
01/10/2027
CUIDADOS À PESSOA COM FERIDA E VIABILIDADE TECIDULAR
Self-care and health-disease