A capacitação do prestador de cuidados para o regresso a casa da pessoa idosa dependente é considerada um facilitador ao processo de transição tanto para o cuidador como para a pessoa cuidada.
No entanto, verificou-se em estudos anteriormente realizados num hospital da região centro de Portugal, uma lacuna entre a preparação/capacitação do cuidador informal para o regresso a casa em ambiente hospitalar e a sua capacidade de resposta às necessidades sentidas aquando dos cuidados à pessoa dependente no domicílio. Especificamente, num estudo que teve como objetivo conhecer os requisitos para a assunção do papel de prestador de cuidados, na perceção do mesmo, os informantes referiram que um dos requisitos necessários era sentirem-se capacitados para no regresso a casa (Santos et al., 2024), onde descreveram lacunas na sua capacitação para a alta hospitalar, assim como evidenciam a necessidade sentida desta preparação para o cuidar no domicílio. Noutro estudo realizado na mesma instituição, justifica-se que esta omissão ao nível da preparação do prestador para a alta poderá relacionar-se com o facto do foco dos enfermeiros ser mais a pessoa dependente do que o cuidador (Nunes et al., 2022).
Assim, de forma a promover cuidados de proximidade e a estabelecer pontes entre o hospital e o domicílio, identificou-se a necessidade de construir um percurso assistencial integrado para os cuidadores informais. Pretende-se com este desenvolvimento, estabelecer interligações entre os diferentes níveis de cuidados, cuidados em contexto hospitalar, cuidados de saúde primários e respostas comunitárias. Esta filosofia de cuidados integram o cidadão no centro das organizações, com o objetivo de garantir que a pessoa cuidada e suas famílias recebam os melhores cuidados de saúde (Direção-Geral da Saúde, n.d.). Esta filosofia vai ao encontro do proposto no Plano Nacional de Saúde 2021-2024 (Direção-Geral da Saúde, 2021).
A relevância do cuidador informal no contexto da continuidade dos cuidados no regresso a casa da pessoa idosa dependente é amplamente reconhecida. O impacto da assunção deste papel representa um desafio significativo não apenas para políticas de saúde, mas também para profissionais da área, que devem oferecer estratégias de intervenção que facilitem o processo de transição hospital-domicílio.
O presente estudo tem como objetivo principal construir, validar e implementar um percurso assistencial integrado para os cuidadores informais de pessoas idosas após um episódio de hospitalização. Com este projeto esperam-se obter contributos para o cuidador informal e pessoa cuidada na transição hospital-domicílio, com os princípios da integração de cuidados. Todas as normas e princípios formais e éticos subjacentes ao processo de investigação serão garantidos.
O presente projeto tem como objetivo principal construir, validar e implementar um percurso assistencial integrado para os cuidadores informais de pessoas idosas após um episódio de hospitalização.
Este projeto pretende construir e implementar um percurso sistematizado do prestador de cuidados da pessoa idosa para a facilitar a transição hospital-domicílio, o qual se retrata como inovador. Perspetiva-se que a sua implementação contribua para promover cuidados de integrados, de proximidade, estabelecendo pontes entre o hospital e o domicílio. Espera-se que o estabelecimento destas interligações contribuía para um impacto significativo na garantia de melhores cuidados de saúde às famílias/prestadores de cuidados de pessoas idosas.
Não aplicávelDireção-Geral da Saúde. (n.d.). Processos Assistenciais Integrados. https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/processos-assistenciais-integrados.aspx
Direção-Geral da Saúde. (2021). Plano Nacional de Saúde 2021-2030. https://www.sns.gov.pt/noticias/2022/04/08/plano-nacional-de-saude-2021-2030-2/
Nunes, M. C., Gonçalves, M., Vidinha, T., Santos, E., & Núcleo de Investigação em Enfermagem: CHUC. (2022). El juicio clínico de las enfermeras sobre el empoderamiento del cuidador. Index de Enfermería, 31(3), e14092. http://ciberindex.com/c/ie/e14092
Santos, E. J. F.., Lopes, M. B., Manata, J., Santos, D., Limão, R., & Nunes, M. C. (2024). Perceção do prestador de cuidados sobre os requisitos para a assunção do seu papel: Estudo qualitativo. Revista De Enfermagem Referência, 6(3, Supl. 1), 1–7. https://doi.org/10.12707/RVI23.74.31501
18/06/2024
18/12/2026
Assunção de papel e capacitação do prestador de cuidados
Self-care and health-disease