A carga de trabalho em enfermagem constitui um fator relevante para a qualidade dos cuidados, a segurança do doente e o bem-estar dos profissionais. Nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), esta problemática assume especial importância devido à elevada complexidade clínica, instabilidade dos doentes, necessidade de vigilância contínua, pressão temporal e utilização intensiva de tecnologia. Estas condições tornam o trabalho dos enfermeiros particularmente exigente nos planos físico, cognitivo e emocional (Simões et al., 2021).
A carga de trabalho mental subjetiva refere-se aos recursos cognitivos mobilizados para responder às exigências de uma tarefa num determinado contexto. Envolve processos como atenção, memória de trabalho, processamento de informação e tomada de decisão, resultando da interação entre as exigências da tarefa, as características do indivíduo e o contexto em que esta é realizada. Em UCI, estas exigências assumem particular relevância pela necessidade de interpretar informação complexa e tomar decisões de forma rápida e contínua.
A avaliação da carga de trabalho não deve limitar-se a indicadores objetivos, como o número de doentes ou o rácio enfermeiro-doente, uma vez que estes não refletem necessariamente o esforço cognitivo percecionado. Neste sentido, destaca-se a National Aeronautics and Space Administration – Task Load Index (NASA-TLX), desenvolvida por Hart e Staveland (1988). Trata-se de um instrumento multidimensional que avalia seis dimensões: exigência mental, exigência física, exigência temporal, desempenho, esforço e frustração. Embora inicialmente desenvolvida para contextos de aviação e engenharia, a NASA-TLX tem sido utilizada em contextos de saúde, incluindo na avaliação da carga de trabalho de enfermeiros em ambientes de elevada exigência clínica (Park et al., 2024).
A utilização de instrumentos válidos e fiáveis é fundamental para a avaliação de fenómenos subjetivos. A simples tradução linguística de uma escala não garante a manutenção da equivalência semântica, idiomática, conceptual e cultural, sendo necessário um processo sistemático de adaptação transcultural (Beaton et al., 2000). Paralelamente, a avaliação das propriedades psicométricas permite determinar se o instrumento mantém características adequadas na nova população. As recomendações COSMIN salientam, neste âmbito, a importância da avaliação da validade de conteúdo, validade de constructo e fiabilidade (Mokkink et al., 2019).
Perante a inexistência identificada no presente projeto de uma versão portuguesa europeia da NASA-TLX formalmente adaptada e psicometricamente validada para enfermeiros de UCI, torna-se pertinente proceder à sua tradução, adaptação transcultural e validação. A disponibilização de um instrumento válido e fiável poderá colmatar uma lacuna na investigação em enfermagem em Portugal, permitir uma avaliação mais rigorosa da carga de trabalho mental subjetiva e favorecer a comparabilidade com estudos internacionais. Poderá ainda complementar indicadores objetivos de carga de trabalho e contribuir para o desenvolvimento de estratégias orientadas para a gestão dos recursos humanos, qualidade dos cuidados e segurança do doente.
Introdução: A carga de trabalho mental subjetiva dos enfermeiros assume particular relevância nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), devido à complexidade clínica, exigência cognitiva e pressão temporal. A NASA Task Load Index (NASA-TLX) é um instrumento multidimensional usado internacionalmente para avaliar esta carga, mas não existe uma versão portuguesa adaptada e validada para enfermeiros em UCI.
Objetivos: Traduzir, adaptar transculturalmente e avaliar as propriedades psicométricas da versão portuguesa da NASA-TLX, assegurando a equivalência semântica, idiomática, conceptual e cultural e analisando a validade de conteúdo, a validade de constructo e a consistência interna.
Metodologia: Estudo metodológico, quantitativo, observacional e transversal. A adaptação seguirá as recomendações de Beaton et al.. A avaliação psicométrica seguirá as recomendações COSMIN. Prevê-se uma amostra de 150 a 200 enfermeiros de UCI de hospitais portugueses. A recolha incluirá dados sociodemográficos e profissionais e a versão portuguesa ponderada da NASA-TLX após um turno.
Resultados esperados: Espera-se obter uma versão portuguesa da NASA-TLX culturalmente adaptada, válida e fiável, para apoiar a avaliação da carga de trabalho mental subjetiva, a investigação em enfermagem e estratégias de gestão, qualidade dos cuidados e segurança do doente.
Objetivo geral: Traduzir, adaptar transculturalmente e avaliar as propriedades psicométricas da versão portuguesa da NASA Task Load Index (NASA-TLX) para a avaliação da carga de trabalho mental subjetiva em enfermeiros de Unidades de Cuidados Intensivos.
Objetivos específicos:
- Traduzir a NASA-TLX para português europeu, de acordo com as recomendações internacionais para adaptação transcultural;
- Adaptar transculturalmente a versão portuguesa da NASA-TLX, assegurando a equivalência semântica, idiomática, conceptual e cultural;
- Avaliar as propriedades psicométricas da versão portuguesa da NASA-TLX, nomeadamente a validade de conteúdo, a validade de constructo e a consistência interna.
A investigação apresenta caráter inovador ao propor a adaptação transcultural e validação psicométrica da NASA-TLX para enfermeiros de UCI em Portugal, colmatando uma lacuna identificada na avaliação da carga de trabalho mental subjetiva. A disponibilização de um instrumento válido e fiável poderá apoiar a investigação, a gestão de recursos humanos e a identificação de contextos de sobrecarga profissional, contribuindo para melhores condições de trabalho, maior qualidade dos cuidados e reforço da segurança do doente.
Beaton, D. E., Bombardier, C., Guillemin, F., & Ferraz, M. B. (2000). Guidelines for the process of cross-cultural adaptation of self-report measures. Spine, 25(24), 3186–3191. https://doi.org/10.1097/00023232-200012150-00014
Hart, S. G., & Staveland, L. E. (1988). Development of NASA-TLX (Task Load Index): Results of empirical and theoretical research. In P. A. Hancock & N. Meshkati (Eds.), Human mental workload (pp. 139–183). North-Holland. https://doi.org/10.1016/S0166-4115(08)62386-9
Mokkink, L. B., Prinsen, C. A. C., Bouter, L. M., de Vet, H. C. W., & Terwee, C. B. (2019). The COSMIN study reached international consensus on taxonomy, terminology, and definitions of measurement properties for health-related patient-reported outcomes. Journal of Clinical Epidemiology, 116, 114–122. https://doi.org/10.1016/j.jclinepi.2019.05.008
Park, S., Yoo, J., Lee, Y., DeGuzman, P. B., Kang, M. J., Dykes, P. C., Shin, S. Y., & Cha, W. C. (2024). Quantifying emergency department nursing workload at the task level using NASA-TLX: An exploratory descriptive study. International Emergency Nursing, 74, 101424. https://doi.org/10.1016/j.ienj.2024.101424
Simões, J. L., Sá-Couto, P., Simões, C. J., Oliveira, C., Santos, N. M., Mateus, J., Magalhães, C. P., & Martins, M. M. (2021). Nursing workload assessment in an intensive care unit: A 5-year retrospective analysis. Journal of Clinical Nursing, 30(3–4), 528–540. https://doi.org/10.1111/jocn.15570
29/04/2026
31/07/2027
Práticas profissionais e ambientes de cuidados seguros
Care Systems, Organization, Models, and Technology