Os desafios globais cada vez mais complexos exigem uma ciência mais transparente, acessível e colaborativa. Nesse cenário, a ciência aberta surge como uma resposta importante, promovendo maior democratização no acesso e na produção do conhecimento científico. A Ciência Aberta constitui um conjunto de práticas emergentes que visam transformar a forma como o conhecimento científico é produzido, disseminado e reutilizado. Sustentada por princípios de transparência, acessibilidade, colaboração e responsabilidade social, a ciência aberta procura garantir que os resultados da investigação, incluindo os dados, métodos e publicações, sejam livremente acessíveis, compreensíveis e reutilizáveis por toda a sociedade, com o objetivo de beneficiar tanto a comunidade científica quanto a sociedade como um todo (UNESCO & Canadian Commission for UNESCO, 2022; UNESCO, 2021). No âmbito das políticas de ciência aberta, a Comissão Europeia estabeleceu, para o programa Horizonte 2020 e Horizonte Europa, uma política de dados em acesso aberto com o objetivo de ampliar o acesso e a reutilização dos dados gerados por projetos financiados. Esta política exige que os investigadores depositem os dados de investigação, acompanhados dos respetivos metadados, sempre que estes sejam necessários para validar os resultados publicados. Além disso, impõe a elaboração de planos de gestão de dados (Data management Plans - DMPs). Os requisitos para os dados abertos no programa Horizonte 2020 foram de 2014 a 2016, enquadrados por um projeto piloto abrangendo apenas algumas áreas científicas do programa, mas a partir de janeiro de 2017 os mesmos requisitos são aplicados por defeito a todos os projetos aprovados no programa-quadro. No contexto nacional, existe legislação vigente que explana o compromisso político com a CA, como a Resolução do Conselho de Ministros n.º 21/2016, de 11 de abril, que define os princípios orientadores para a implementação de uma Política Nacional de Ciência Aberta, e o Decreto-Lei n.º 63/2019, de 16 de maio, que estabelece que as instituições de I&D devem assegurar o acesso aberto ao conhecimento científico, ilustram esse alinhamento político com os valores da Ciência Aberta. A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) adotou, em 2014, orientações no contexto da política de acesso aberto, encorajando os investigadores a disponibilizar os dados resultantes de projetos de I&D em repositórios de acesso aberto apropriados. A FCT incentiva ainda a participação em iniciativas nacionais e internacionais que promovam práticas eficazes de partilha de dados, ajustadas às especificidades de cada área científica. Dada a crescente valorização dos dados de investigação como resultados científicos com valor próprio, um número cada vez maior de instituições de ciência e ensino superior tem vindo, a nível internacional, a adotar políticas específicas para a sua gestão e abertura dos dados nos atuais processos de investigação e desenvolvimento. Apesar da diversidade de abordagens, estas políticas tendem a centrar-se em dois eixos fundamentais: a definição de requisitos para a gestão dos dados, nomeadamente através de elaboração de planos de gestão de dados, e a promoção do acesso aberto, mediante o depósito dos dados em repositórios adequados. A análise rigorosa dos dados exige, contudo, que estes estejam bem organizados, documentados e armazenados em formatos acessíveis e duradouros. A Gestão de Dados de Investigação desempenha, assim, um papel central na estruturação da informação científica, garantindo a integridade, a segurança e a reprodutibilidade dos resultados. Os metadados oferecem contexto essencial à interpretação dos dados, enquanto a integridade e segurança dos mesmos garantem a validade dos resultados. Além disso, a partilha e reutilização dos dados promovidas pela Gestão de Dados de Investigação ampliam o potencial para análises secundárias e meta-análises, maximizando o valor da investigação em consonância com os princípios da Ciência Aberta. Uma vez que a avaliação do conhecimento e das atitudes dos investigadores exige uma escala válida e normalizada, mas de acordo com as pesquisas realizadas (no momento da elaboração deste projeto), os questionários existentes eram extensos, pouco abrangentes e centrados apenas no conhecimento e no conceito geral de ciência aberta, não se revelando adequados para o presente estudo.
Research data management (RDM) is increasingly recognized as a critical component of responsible and transparent science. In Portugal, recent guidelines introduced by the Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) emphasize the importance of data management plans (DMPs), documentation, storage, sharing, and long-term preservation. However, little is known about the knowledge and attitudes of researchers regarding RDM. This study aims to develop and apply a scale to assess researchers’ knowledge and attitudes toward RDM. The scale will be designed based on a literature review of existing scales and aligned with the stages of the data lifecycle, and organized into two domains: Knowledge and Attitude. The scale will cover key areas such as planning, documentation, storage, sharing, reuse, and ethical considerations.
By applying this scale, we seek to provide insights into researchers’ current understanding and perceptions of RDM, identify gaps in practice, and inform future training and institutional strategies. Ultimately, the findings will contribute to promoting open science and sustainable research environments in Portugal.
(1) Desenvolver uma escala para medir o conhecimento e a atitude dos investigadores relativamente à gestão de dados de investigação
(2) Avaliar o conhecimento e as atitudes dos investigadores da UICISA: E relativamente à gestão de dados de investigação
not applicable
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not applicable
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Princípios da Ciência Aberta em Investigação em Enfermagem: Política e Implementação
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