O Empenhamento Organizacional tem-se afirmado, nas últimas décadas, como um construto central no estudo do comportamento humano em contexto de trabalho, despertando crescente interesse nas áreas da gestão e do comportamento organizacional, particularmente no setor da saúde. Este interesse resulta do reconhecimento de que o Empenhamento não se limita ao nível individual, influenciando também a dinâmica e a cultura organizacional. Organizações com trabalhadores altamente empenhados tendem a apresentar ambientes de trabalho mais positivos, caracterizados por maior colaboração, proatividade e capacidade de inovação, estando igualmente associados a níveis mais elevados de satisfação no trabalho e melhor desempenho.
No setor da saúde, esta relação assume especial relevância, uma vez que o nível de Empenhamento dos profissionais está diretamente associado à qualidade dos cuidados prestados aos utentes. Profissionais mais empenhados tendem a oferecer cuidados de maior qualidade, melhorar a experiência do paciente e reduzir a ocorrência de erros clínicos. Assim, compreender as dinâmicas do Empenhamento torna-se essencial para a gestão das organizações de saúde, contribuindo para a melhoria do desempenho institucional e para a promoção de ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos.
O Empenhamento Organizacional no setor da saúde constitui um pilar crítico para a sustentabilidade dos sistemas públicos. Não obstante a sua relevância estratégica, a investigação sobre o vínculo psicológico dos médicos em Portugal permanece incipiente, carecendo de abordagens que transcendam a análise da satisfação laboral para dissecar a natureza multidimensional da ligação destes trabalhadores às suas instituições. O presente estudo visa colmatar esta lacuna, avaliando o Empenhamento Organizacional da classe médica à luz do Modelo Multidimensional de Meyer e Allen (1991), que distingue entre as componentes Afetiva (vontade), Normativa (dever) e Instrumental (necessidade).
O estudo adota uma metodologia quantitativa, transversal e correlacional, tendo por base uma amostra de médicos de uma Unidade Local de Saúde.
- Avaliar o Empenhamento Organizacional (Afetivo, Normativo e Instrumental) dos trabalhadores médicos.
- Analisar a relação de características sociodemográficas dos médicos com o Empenhamento Organizacional.
- Analisar efeitos da relação com o grupo no Empenhamento Organizacional dos trabalhadores médicos.
- Analisar efeitos da perceção de suporte organizacional no Empenhamento Organizacional dos trabalhadores médicos.
- Analisar efeitos da perceção de justiça procedimental no Empenhamento Organizacional dos trabalhadores médicos.
- Analisar o Empenhamento Organizacional dos trabalhadores médicos em função de variáveis socioprofissionais.
Analisar diferenças no Empenhamento Organizacional dos trabalhadores médicos de CSP vs CSH.
Os resultados possibilitarão evidenciar a arquitetura do modelo de Meyer e Allen (1991), verificando preditores do Empenhamento Organizacional, sua estabilidade ao longo do tempo ou as suas alterações. Alterações essas quer de fatores sociais, dinâmicas reformistas e da crescente complexidade dos serviços de saúde, quer de fatores individuais e das características do contexto de trabalho.
As conclusões irão oferecer um suporte consistente à tomada de decisão, ao planeamento de intervenções e à definição de políticas e estratégias mais ajustadas às especificidades da realidade analisada, contribuindo para uma gestão mais informada, eficaz e sensível às transformações do setor da saúde.
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04/12/2024
04/12/2028
Comportamento Organizacional
Care Systems, Organization, Models, and Technology