O nascimento de um filho, em especial o primeiro, alterna, transforma e reestrutura de forma irreversível a vida de ambos os pais, enquanto pessoa e enquanto casal (José, 2018). Tanto na gravidez, como o parto e o pós-parto são evidenciados como momentos importantes no processo de transição para a parentalidade, pelas diversas alterações da rotina diária, pelos papeis familiares e sociais (Sotto-Mayor & Piccinini, 2005).
Segundo Houzel (2004), a parentalidade envolve um conjunto de funções adquiridas pelos pais como, o exercício, a experiência e a prática da parentalidade. Atualmente, o homem assume cada vez mais a sua paternidade (Martins, 2002). Sabendo que o período pós-parto é particularmente significativo para a mulher, família e bebé, com necessidades de adaptação física e psicológica, é fundamental que os enfermeiros que atuam nesta área sejam então capazes de demonstrar competências direcionadas a estas necessidades e atuem o mais precocemente possível, de forma a minimizar complicações neste período (Organização Mundial da Saúde, 1998).
A inexperiência em cuidar do recém-nascido, as alterações da rotina diária, a consolidação da relação mãe/filho, pai/filho, relação conjugal e relacionamento familiar, na sua grande maioria não é detetável durante o internamento na Maternidade (Mendes, 2007).
A realização da visita domiciliária por um enfermeiro no período pós-parto é imprescindível, na medida em que possibilita a intervenção em diferentes áreas, como a educação, interação, orientação e autonomia (Almeida et al, 2016), permitindo não só avaliar o papel da puérpera, como a própria família, bem como na sua adaptação ao novo membro da família (Santos, 2004).
A chegada de um filho acarreta alterações na vida pessoal, conjugal, social e profissional, constituindo uma grande mudança na vida de um casal (Barata, 2013). Tornar-se mãe e pai constitui um período de instabilidade que vai determinar os comportamentos que promovem a adaptação ao papel parental num processo de transição para a parentalidade (Mendes, 2009 referido por Henriques, 2022). A Classificação Internacional para a prática de Enfermagem (2006) define a parentalidade como uma ação de tomar conta com características específicas, o assumir as responsabilidades de ser mãe e/ou pai, com comportamentos para facilitar o acolhimento do recém-nascido no meio familiar e otimizar o seu crescimento e desenvolvimento, bem como interiorização das expectativas dos indivíduos, famílias, amigos e sociedade quanto aos comportamentos de papel parental adequados ou inadequados.
Segundo Lowdermilk & Perry (2008), a transição para a parentalidade começa durante a gravidez e termina quando os pais sentem conforto e confiança no desempenho dos seus novos papeis. Esta transição envolve novas responsabilidades, expetativas e mudanças (Baldwin et al., 2019), quer a nível individual, conjugal, familiar e social (Ramos et al., 2005), ocorrendo independentemente da parentalidade ser biológica, adotiva e independentemente do tipo de casal. (Lowdermilk & Perry, 2008).
Para Bobak et al. (2002), este processo cinge dois componentes, envolve o conhecimento e a habilidade nas atividades de cuidar do recém-nascido por ambos os pais e relaciona-se com a valorização e o conforto, abrangendo uma atitude de carinho, consciencialização e preocupação com as necessidades e desejos do recém-nascido, conduzindo a um relacionamento familiar positivo.
O nascimento de um bebé e a adaptação à parentalidade pode desencadear nos casais sentimentos de insegurança, incapacidade e ansiedade, devido à vulnerabilidade dos pais devido ao desconhecimento, novas responsabilidades decorrentes do cuidar de uma criança que podem comprometer o normal processo de adaptação (Almeida, 2011). As mudanças decorrentes da integração de um novo elemento na família, de modo a evitar uma crise familiar, exigem maturidade intelectual e psicológica e implica redistribuição de papéis (Alarcão, 2006). Mendes (2009), acrescenta que atualmente o homem está mais consciente do seu papel paternal, no que respeita ao acompanhamento e desenvolvimento do seu filho. No estudo realizado por Solberg et al. (2022), constatou-se que os pais relatam experiências positivas em relação à visita domiciliária visto que promoveu o seu envolvimento familiar nos cuidados ao recém-nascido, reforçando que desta forma os pais sentiram-se incluídos.
O envolvimento ativo do pai durante o período pós-parto promove a participação da família como um todo, fortalecendo os laços familiares e proporcionando um ambiente saudável de apoio e suporte à mãe e ao bebé. É fundamental envolver o pai nessa transição de forma saudável, necessitando dos nossos cuidados especializados em saúde materna e obstétrica, objetivando a sua capacitação.
Desta forma a enfermagem pode desempenhar um papel fundamental a orienta-lo sobre os cuidados ao recém-nascido, as possíveis dificuldades e desafios do pós-parto, a importância da amamentação, entre outros aspetos relevantes para a saúde e bem-estar da família.
• Avaliar a importância da visita domiciliária em pais pela primeira vez e seu efeito facilitador no envolvimento do pai na sua transição para a parentalidade;
• Identificar as dificuldades em cuidar do recém-nascido e transição para a parentalidade descritas pelos pais pela primeira vez no período pós-parto.
A investigação proposta visa alcançar resultados inovadores, capazes de gerar conhecimento significativo e impacto tangível na prática clínica. Os resultados esperados pretendem contribuir significativamente para a melhoria da qualidade de vida das mulheres e da díade parental no pós-parto.
Em sumula espera-se com este projeto: - Identificar necessidades, compreendendo os desafios enfrentados e desenvolvendo intervenções eficazes e centradas na utente/cidadã;
- Contribuir significativamente para a melhoria da qualidade de vida e da saúde das mulheres e da díade parental no pós-parto;
- Fornecer orientações práticas para a promoção da saúde materna e obstétrica e o desenvolvimento de estratégias que beneficiem a díade parental na transição para a parentalidade;
- Promover cuidados de saúde de excelência, alinhando-se com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Não aplicávelAlmeida, E. (2011). Visita domiciliária no pós-parto (Tese de mestrado). Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Saúde de Viseu, Portugal
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11/09/2025
31/12/2026
TRANSIÇÃO PARA A PARENTALIDADE: RESPOSTAS NO PROCESSO DE AJUSTAMENTO
Well-being and Health Promotion