Care4Force: Promoção da Saúde e Bem-Estar nas Forças de Segurança

Os profissionais das forças de segurança trabalham frequentemente por turnos rotativos e noturnos, enfrentam incidentes críticos e atuam sob uma carga cognitiva prolongada, enquanto transportam equipamento e mantêm posturas constrangedoras. Este perfil de exposição coloca-os entre os grupos profissionais com risco acrescido de perturbações do sono, fadiga e stress crónico, com consequências a jusante na saúde, no desempenho operacional, na segurança pública e na qualidade de vida (James, 2023).

Os dados empíricos relativos às forças de segurança revelam que os horários por turnos estão associados a uma pior qualidade do sono e à fadiga, e que estes problemas podem comprometer a vigilância e a tomada de decisões, funções essenciais no trabalho policial (Elliott, 2016). Além disso, observou-se prospectivamente uma desregulação metabólica relacionada com o sono em agentes da polícia, o que reforça a relevância do sono como uma via de risco precoce e modificável (Garbarino, 2019).

As queixas musculoesqueléticas também são altamente prevalentes, com dores recorrentes na região lombar, no pescoço e nos ombros associadas à carga física, à condução e a posturas estáticas prolongadas (Marins, 2020). As perturbações do sono e a dor ocorrem frequentemente em simultâneo, contribuindo para uma redução do desempenho que se autoalimenta, aumentando o absentismo e o presentismo, bem como os custos para a organização. O trabalho por turnos afeta ainda mais os hábitos de vida, como uma alimentação irregular, a redução da atividade física e um maior consumo de estimulantes, agravando a fadiga e a vulnerabilidade cardiometabólica (Kalmbach, 2020). As perturbações do sono e a dor ocorrem frequentemente em simultâneo, contribuindo para uma redução do desempenho que se autoalimenta, aumentando o absentismo e o presentismo, bem como os custos para a organização. O trabalho por turnos afeta ainda mais os hábitos de vida, como uma alimentação irregular, a redução da atividade física e um maior consumo de estimulantes, agravando a fadiga e a vulnerabilidade cardiometabólica (Kalmbach, 2020).

Além disso, os sintomas de ansiedade são comuns em contextos operacionais de elevado stress e podem agravar o comprometimento funcional e as barreiras à procura de ajuda (Di Nota, 2024). No caso do pessoal com responsabilidades familiares, o stress profissional pode transbordar para a parentalidade, afetando a perceção da competência parental (eficácia e satisfação) (Moreira, 2019).

Embora as abordagens baseadas na resiliência e na atenção plena se revelem promissoras em amostras de agentes das forças de segurança, a sua adoção continua a ser limitada pelo estigma, pelas preocupações com a confidencialidade, pela cultura organizacional e pela incompatibilidade com os horários de trabalho (Christopher, 2018). As orientações atuais sobre as melhores práticas para intervenções complexas enfatizam o desenvolvimento sensível ao contexto, bem como considerações de viabilidade e implementação, de modo a maximizar o impacto no mundo real (Skivington, 2021).

O Care4Force aborda a lacuna existente em Portugal entre a evidência científica e a prática clínica, através da realização de uma avaliação de necessidades com métodos mistos (sono, estilo de vida, ansiedade, qualidade de vida, competência parental e saúde musculoesquelética) e da tradução dos resultados em requisitos para um conjunto de ferramentas modular e programas / workshops de promoção da saúde.

Introdução: Os profissionais das forças de segurança estão expostos a exigências físicas e psicossociais (turnos, padrões de sono irregulares, stress operacional), que afetam a qualidade do sono, os estilos de vida, o bem-estar psicológico e a qualidade de vida. Intervenções mal-adaptadas ao contexto tendem a ter uma baixa adesão; por isso, é fundamental uma abordagem faseada e participativa, centrada no diagnóstico e no desenvolvimento estruturado de intervenções. Objetivo: Caracterizar as necessidades de saúde e bem-estar dos profissionais das forças de segurança da região centro de Portugal, com base em métodos mistos e Desenvolver um programa de ferramentas de promoção da saúde adaptado ao contexto operacional. Métodos: Estudo comunitário, multicêntrico e de métodos mistos. Fase quantitativa: estudo transversal analítico com amostragem por conveniência, utilizando instrumentos de recolha de dados com escalas validadas. Fase qualitativa: focus groups (6 a 8 participantes) com gravação áudio e transcrição. O projeto Care4Force já foi aprovado por um Comité de Ética (n.º 43/SUB/2025) e o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados será respeitado. Resultados esperados: perfil multidimensional de saúde e bem-estar e identificação de padrões/perfis de risco associados a fatores ocupacionais; mapeamento de prioridades, barreiras e facilitadores contextuais para a promoção da saúde.

Identificar necessidades em matéria de saúde e bem-estar dos profissionais das forças de segurança no que diz respeito à qualidade de vida, estilo de vida, sono, ansiedade e parentalidade.

Diagnóstico multidimensional das necessidades de saúde (estudo quantitativo)

Caracterizar o perfil sociodemográfico, profissional e de saúde dos profissionais das forças de segurança, utilizando instrumentos validados para avaliar o estilo de vida, a qualidade do sono, a qualidade de vida, a ansiedade e o sentimento de competência parental.

Analisar a associação entre variáveis profissionais (por exemplo, turnos, carga de trabalho, funções, antiguidade) e indicadores relativos ao sono, à qualidade de vida, à ansiedade e ao estilo de vida.

Exploração qualitativa das perceções, barreiras e prioridades

Explorar, através de focus group com profissionais das forças de segurança, as perceções sobre saúde e bem-estar, as principais barreiras e fatores facilitadores da adoção de comportamentos saudáveis, bem como as expectativas relativamente às estratégias de promoção da saúde no contexto profissional.

Identificação de fatores sociodemográficos e profissionais preditivos

Identificar fatores sociodemográficos, profissionais, de saúde e de bem-estar que sirvam de base ao modelo de intervenção modular e replicável, recorrendo à triangulação de dados quantitativos e qualitativos.

Integração de dados científicos e definição de requisitos para uma futura intervenção

Desenvolver um programa de intervenção modular e replicável no domínio da promoção da saúde, adaptado às forças de segurança e às necessidades identificadas.

Teste-piloto exploratório em pequena escala

Testar, em condições reais, a viabilidade, a aceitabilidade e a logística do protótipo conceptual desenvolvido.

O envolvimento dos cidadãos constitui um princípio estruturante do projeto Care4Force, sendo entendido como um elemento fundamental para assegurar a relevância, a adequação ao contexto e a aplicabilidade dos resultados da investigação. Neste projeto, os cidadãos serão representados pelos profissionais das forças de segurança, enquanto população diretamente afetada pelas condições de trabalho e pelos determinantes de saúde que constituem objeto de estudo. O envolvimento cidadão terá particular relevância na fase de conceção das intervenções. Os participantes contribuirão para a identificação de prioridades, obstáculos e fatores facilitadores, permitindo uma conceção conjunta de estratégias de promoção da saúde fundamentadas simultaneamente na evidência científica e nas necessidades percebidas pela população-alvo. Esta abordagem é coerente com o objetivo do projeto de desenvolver uma intervenção modular, replicável e adaptada ao contexto específico das forças de segurança. Embora os profissionais das forças de segurança não integrem formalmente a equipa de investigação enquanto investigadores, o seu contributo será considerado uma componente essencial do processo de investigação participativa. Assim, o envolvimento cidadão no Care4Force assume uma natureza progressiva e participativa, abrangendo a identificação de necessidades, a definição de prioridades, a conceção conjunta das intervenções, a avaliação da sua aceitabilidade e viabilidade e a devolução dos resultados à comunidade. Esta abordagem pretende assegurar que o programa desenvolvido não seja apenas cientificamente fundamentado, mas também contextualizado, relevante, aceitável e potencialmente sustentável no quotidiano dos profissionais das forças de segurança.

  • Universidade Politécnica de Viseu
  • Guarda Nacional Republicana (GNR)
  • Christopher, M. S., Hunsinger, M., Goerling, L. R. J., Bowen, S., Rogers, B. S., Gross, C. R., Dapolonia, E., & Pruessner, J. C. (2018). Mindfulness-based resilience training to reduce health risk, stress reactivity, and aggression among law enforcement officers: A feasibility and preliminary efficacy trial. Psychiatry research DOI: https://doi.org/10.1016/j.psychres.2018.03.059

    Di Nota, P. M., Scott, S. C., Huhta, J. M., Gustafsberg, H., & Andersen, J. P. (2024). Physiological Responses to Organizational Stressors Among Police Managers. Applied psychophysiology and biofeedback DOI: https://doi.org/10.1007/s10484-023-09613-2

    Elliott, J. L., & Lal, S. (2016). Blood Pressure, Sleep Quality and Fatigue in Shift Working Police Officers: Effects of a Twelve-Hour Roster System on Cardiovascular and Sleep Health. International journal of environmental research and public health DOI: https://doi.org/10.3390/ijerph13020172

    Garbarino, S., & Magnavita, N. (2019). Sleep problems are a strong predictor of stress-related metabolic changes in police officers. A prospective study. PloS one DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0224259

    James, L., James, S., & Atherley, L. (2023). The effects of shift-work schedules on the sleep, health, safety, and quality of life of police employees during the COVID-19 pandemic. Frontiers in psychology DOI: https://doi.org/10.3389/fpsyg.2023.1128629

    Kalmbach, D. A., Sen, S., & Drake, C. L. (2020). Poor sleep is a health crisis for physicians and nurses. Sleep medicine DOI: https://doi.org/10.1016/j.sleep.2020.01.004

    Marins, E., Andrade, L., Peixoto, M., Silva, M. (2020). Frequency of musculoskeletal symptoms among police officers: systematic review. BrJP DOI: https://doi.org/10.5935/2595-0118.20200034

    Moreira, H., Fonseca, A., Caiado, B., & Canavarro, M. C. (2019). Work-Family Conflict and Mindful Parenting: The Mediating Role of Parental Psychopathology Symptoms and Parenting Stress in a Sample of Portuguese Employed Parents. Frontiers in psychology DOI: https://doi.org/10.3389/fpsyg.2019.00635

    Skivington, K., Matthews, L., Simpson, S. A., Craig, P., Baird, J., Blazeby, J. M., Boyd, K. A., Craig, N., French, D. P., McIntosh, E., Petticrew, M., Rycroft-Malone, J., White, M., & Moore, L. (2021). A new framework for developing and evaluating complex interventions: update of Medical Research Council guidance. BMJ (Clinical research ed.) DOI:  https://doi.org/10.1136/bmj.n2061

    Informação do projeto

    • Data de Início

      01/10/2026

    • Data de conclusão

      01/10/2029

    • Projeto Estruturante

      DETERMINANTES E INTERVENÇÕES EM SAÚDE COMUNITÁRIA E SAÚDE PÚBLICA

    • Linha Temática

      Well-being and Health Promotion

    • Target population
      • Profissionais das forças de segurança portuguesas, em funções.
    • Palavras-chave
      • Promoção da saúde
      • Forças de segurança
      • Estilo de vida saudável
      • Bem-estar psicológico e Qualidade de vida
    • Áreas prioritárias
      • Educação para a Saúde e Literacia
    • ODS da Agenda 2030 das Nações Unida
      • Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
      • Promover o crescimento económico inclusivo e sustentável, o emprego pleno e produtivo e o trabalho digno para todos
    • Equipa de Projeto
      • Maria Odete Pereira Amaral IR
      • Ana Isabel de Almeida Ribeiro Fernandes da Rocha OR
      • Teresa Silveira Lopes OR
      • Tânia Sofia Pereira Correia OR
      • Sofia Margarida Guedes de Campos OR
      • Susana Marisa Loureiro Pais Batista OR
      • Paula Cristina Dias Rocha Cavaleiro Saraiva OR
      • Manuela Maria da Conceição Ferreira OR
      • Manuel Pereira Cordeiro
      • Ricardo João Correia da Cruz Pais Antunes
      • Andreia Pereira
      • Luís Miguel Pereira Condeço