O consumo de bebidas alcoólicas faz parte da rotina de convívio social, cultural e religioso de muitas pessoas, sendo esta a substância psicoativa mais consumida no mundo, reportado por 2,5 milhões de pessoas em 2019 (WHO, 2024).
No entanto, o uso de álcool é um importante fator de risco para diversos problemas de saúde e é responsável por uma parte significativa da carga geral de doenças e mortalidade, bem como danos sociais (WHO, 2024, p.26).
Isso pois, embora esta seja uma substância lícita e socialmente aceita, é psicoativa, e o seu consumo pode causar tolerância, dependência, além de ser altamente tóxica para diversas células do corpo humano (MONTEIRO, 2020a), não existindo uma quantidade segura de álcool para qualquer pessoa, uma vez que qualquer nível de consumo está associado a impacto prejudicial à saúde, e grande parte destes impactos são atribuídos a níveis e padrões perigosos e prejudiciais de consumo (WHO, 2024, p.26).
Por estar associado a danos ou a riscos aumentados à saúde e ao bem-estar, a Organização Mundial de Saúde considera como um padrão de risco elevado, popularmente conhecido como Binge Drinking, o consumo de 60g ou mais de álcool puro, seja de modo episódico ou contínuo, uma vez que esse volume de álcool causa efeitos psicoativos (atenção prejudicada, comportamento inadequado ou agressivo, labilidade do humor e das emoções, julgamento prejudicado, má coordenação, marcha instável, fala arrastada - sintomas de embriaguez, causado pela intoxicação causada pelo álcool) que corroboram para o acontecimento imediato de acidentes de trânsito, conflitos interpessoais, queda, entre outros agravos, e apresenta risco aumentado para o desenvolvimento de diversas doenças biológicas e psicológicas a curto e longo prazo (WHO, 2024, p.14).
Esse padrão de consumo é considerado um problema grave de saúde pública (WHO, 2024, p.14) que impede o progresso em direção a múltiplos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), incluindo as metas de reduzir mortes e lesões por acidentes de trânsito (ODS 3.6), a redução ou eliminação de todas as formas de violência e mortes relacionadas (ODS 16.1), incluindo as contra mulheres, meninas (ODS 5.2) e crianças (ODS 16.2) (Escritório Regional da OMS para a Europa, 2020, WHO, 2024, p.26), e foi reportado por 38% da população mundial de modo episódico (WHO, 2024, p. 35), e por 3,6% de modo contínuo, no ano de 2019 (WHO, 2024, p.37). Corroborando com a estimativa de 400 milhões de pessoas (7% da população mundial), vivendo com perturbações por uso de álcool, sendo 209 milhões (3,7% da população mundial adulta) com dependência dessa substância (WHO, 2024, p. 54).
Além disso, o consumo de álcool em seus diversos padrões de uso resultou em 2,6 milhões de óbitos no mundo, o equivalente a 4,7% de todas as mortes neste mesmo ano (WHO, 2024, p. xii), e 115,9 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs), o equivalente a 4,6% de todos os DALYs perdidos globalmente, sendo, 89,5 milhões de DALYs devidos à mortalidade prematura (anos de vida perdidos) e 26,4 milhões de DALYs perdidos devido à morbidade (anos de vida vividos com incapacidade) (WHO, 2024, p. 228).
Por estas razões, a redução dos níveis de consumo de álcool populacional é um objetivo legítimo e bem justificado de significativa importância para a saúde pública (WHO, 2024, p.26).
Nesse sentido, os serviços de Cuidados de Saúde Primarios são percebidos como estratégicos, devido a sua proximidade geográfica a comunidade do seu território de abrangencia, que é um fator de grande importância por possibilitar a criação de vínculos e uma relação afetiva de confiança, sendo um recurso estratégico para o enfrentamento de necessidades de saúde pública, por favorece a identificação de problemas comunitários e construção de intervenções voltada à realidade de seu território (CAMPOS, BEZERRA, JORGE, 2018; ESLABÃO et al., 2019; GARCIA et al., 2020). E os profissionais de saúde, em especifico os enfermeiros, são considerados os protagonistas, tendo em vista as suas competencias profissional e por estar na linha de frente do cuidado, de modo a favorecer a identificação precoce de situações de risco, de problemas reais e de necessidades de cuidados do individuo, família e comunidade, e o planejamento do cuidado acertivo .
Porem a literatura evidencia que mesmo em condições propícias para o cuidado os profissionais de cuidados de saúde primarios possuem muitas dificuldades em
Trata-se de um projeto de investigação que objetiva conhecer a percepções, crenças e atitudes dos profissionais de enfermagem dos cuidados de saúde primário sobre a pessoa com perturbações por uso de álcool e como estas (percepções, crenças e atitudes) se relacionam com o cuidado ofertado. Caracteriza-se como um estudo exploratório, descritivo, de abordagem quantitativa e qualitativa (misto), a ser realizado online, com todos os enfermeiros de cuidados de saúde primários que desejarem participar do estudo e que atenda aos criterios de inclusão. A colheita de dados sera realizada em dois momentos: M1 - serão aplicados questionários com perguntas relativas a dados sociodemográficos, a Escala de Atitude Frente ao Álcool, o Alcoolismo e o Alcoolista, e o teste AUDIT-C pelo google forms; M2 – será realizado o aprofundamento dos dados por meio de entrevista individual que será realizada pela investigadora principal pelo google meet. A análise dos dados será mediante estatística descritiva.
Investigar a percepções, crenças e atitudes dos profissionais de enfermagem dos cuidados de saúde primário sobre a pessoa com perturbações por uso de álcool e como estas (percepções, crenças e atitudes) se relacionam com o cuidado ofertado.
Apesar das crenças, percepções e atitudes dos profissionais de enfermagem sobre o álcool, o alcoolista e o alcoolismo ter sido aplamente pesquisado em varias regiões do mundo, em portugal não foi encontrado nos ultimos 10 anos pesquisas com esta proposta. Assim, este projeto de investigação promete trazer conhecimento a respeito desta tematica, tendo em vista o seu impacto sobre a oferta do cuidado de enfermagem a pessoa com necessidades de cuidados em decorrencia do uso de álcool.
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12/11/2024
30/04/2026
PREVENÇÃO DO USO/ABUSO DE ÁLCOOL E OUTRAS SUBSTÂNCIAS PSICOACTIVAS: INTERVENÇÕES EM CONTEXTOS AO LONGO DO CICLO VITAL
Well-being and Health Promotion