No decurso do ciclo vital é comum experienciarem-se situações de doença que independentemente da causa, podem levar à incapacidade, perdas de autonomia e dependência na satisfação das necessidades humanas fundamentais e atividades de vida diária, impondo a necessidade um prestador de cuidados para alcançar a satisfação das necessidades e independência em conjunto (Machado, 2013).
Muitas famílias são confrontadas com esta transição para um novo papel - Ser Cuidador (Shyu, 2000). O cuidador tem sido perspetivado, erradamente, como um recurso para a (des)hospitalização, esperando-se que pessoas sem preparação prévia executem cuidados que seriam da responsabilidade dos profissionais de saúde em meio hospitalar ou comunitário. Urge modificar esta visão instrumentalizada, recolocando o foco na capacitação e na facilitação dos processos de transição.
O Papel de Prestador de Cuidados consiste em interagir de acordo com as responsabilidades de cuidar de alguém; interiorizar a expectativa mantida pelas instituições de cuidados de saúde e profissionais de saúde, membros da família e sociedade relativamente aos comportamentos apropriados ou inapropriados do papel de um prestador de cuidados; expressar estas expectativas sob a forma de comportamentos e valores; sobretudo relativamente a cuidar de um membro da família dependente (ICN, 2019).
Vários estudos referem que quando o prestador de cuidados possui as competências de que necessita apresenta níveis mais baixos de sobrecarga, stress e angústia, e atinge potencialmente melhores resultados (Scherbring, 2002; Silver, Wellman, Galindo-Ciocon, & Johnson, 2004). A competência do prestador de cuidados depende de diversos processos que podem ser realizados com maior ou menor capacidade, dos quais se salientam: pedir ajuda, monitorizar, interpretar, tomar decisões, agir, ajustar, providenciar cuidados, aceder a recursos, trabalhar com a pessoa com dependência e negociar com o sistema de saúde (Meleis, Sawyer, Im, Hilfinger Messias, & Schumacher, 2000; Schumacher, Stewart, Archbold, Dodd & Dibble, 2000).
O processo de ensino-aprendizagem reveste-se de um profundo grau de individualidade em qualquer cotexto, mas em especial na saúde, englobando três ações distintas – educar, instruir e treinar o prestador de acordo com o seu grau de literacia e outras condicionantes (ICN, 2000; Petronilho, 2006). Os enfermeiros constituem indubitavelmente um recurso significativo na equipa de saúde, dada a sua proximidade à pessoa dependente, à família, à equipa de saúde e aos recursos da comunidade. Contudo, esta proximidade/compreensão encontra-se espartilhada em silos e/ou é secundarizada pelo cuidado à pessoa dependente e pela resposta às crescentes pressões de redução do tempo de internamento e alta precoce. Este é, contudo, um problema de elevada complexidade, que importa compreender melhor o problema e explorar formas de o superar.
- Desenvolver conhecimento acerca da problemática do papel do prestador de cuidados/ cuidador informal;
- Analisar os fatores que influenciam a adesão ao papel de prestador de cuidados;
- Identificar necessidades de cuidados do doente e requisitos necessários do prestador para responder às mesmas;
- Desenvolver o conhecimento para a formulação do juízo e a tomada de decisão sobre o papel do prestador de cuidados;
- Promover a capacitação dos enfermeiros na facilitação da adesão e suporte na gestão do papel de prestador de cuidados;
- Promover a capacitação dos enfermeiros no âmbito das terapêuticas de enfermagem associadas ao papel do prestador;
- Contribuir para a melhoria dos sistemas de informação em enfermagem na problemática do papel do prestador.
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01/01/2020
Em desenvolvimento
Self-care and health-disease